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PF apura suposto lobby em contrato de fertilizantes com a Petrobras

Inquérito apura suposta atuação de filho do presidente, lobista e ex-chefe de gabinete em contrato da Unigel com a Petrobras fechado em 2023 e encerrado em 2024.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 25 de setembro de 2026 às 14:38 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Blog do BG)

PF apura suposto lobby em contrato de fertilizantes com a Petrobras
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Blog do BG

BRASÍLIA/DF — Um inquérito da Polícia Federal apura a suposta atuação de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em favor de interesses da Unigel, produtora de fertilizantes, em um contrato com a Petrobras. Segundo os investigadores, a articulação teria ocorrido ao lado da lobista Roberta Luchsinger e de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (25) e o caso segue sob investigação, sem denúncia formalizada até a publicação desta matéria.

De acordo com a apuração, o contrato entre a Unigel e a estatal foi assinado em dezembro de 2023 e previa o arrendamento de unidades de fertilizantes, além de uma possível expansão por meio de financiamento do BNDES. A Petrobras decidiu não renovar o acordo em maio de 2024, alegando descumprimento de metas, e um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) teria apontado prejuízo à estatal, ainda segundo o noticiado.

O que a investigação apura

  • Suposta articulação nos bastidores — segundo o inquérito, o filho do presidente teria conversado com o empresário, participado de ao menos um encontro em março de 2023 e passado a atuar para favorecer a empresa junto à estatal.
  • Contrato de consultoria da lobista — de acordo com os investigadores, Roberta Luchsinger firmou acordo com Leo Slezynger, diretor da Unigel, para viabilizar o arrendamento com a Petrobras e um posterior financiamento de R$ 500 milhões no BNDES.
  • Comissão milionária prevista — o acerto entre a lobista e a empresa previa R$ 100 mil de pagamento inicial e mais R$ 25 milhões em caso de sucesso na liberação do financiamento, sempre segundo a apuração.
  • Repasse de R$ 1,26 milhão — a PF aponta que o diretor da Unigel transferiu esse valor à lobista entre março de 2023 e julho de 2024, movimentação que está sob exame dos investigadores.
  • Suposta participação do ex-chefe de gabinete — mensagens atribuídas à lobista citam o gabinete presidencial como estrutura que estaria "trabalhando" pela empresa, versão que a defesa de Marcola nega.

Ainda segundo o inquérito, as mensagens mencionariam pressão sobre o andamento do contrato atribuída ao então ministro Rui Costa e aos senadores Jaques Wagner e Otto Alencar, apelidados nas conversas de "Clube da Bahia". Até a publicação desta matéria, não havia confirmação oficial dessas versões por parte dos citados além das defesas já manifestadas.

Contrato fechado em 2023 e encerrado em 2024

De acordo com o apurado, o arrendamento entre a Unigel e a Petrobras foi celebrado em dezembro de 2023, dentro da estratégia da empresa de fertilizantes de ampliar a produção nacional. Menos de seis meses depois, em maio de 2024, a estatal optou por não renovar o vínculo, sob a justificativa de metas de eficácia não cumpridas.

Segundo o noticiado a partir do inquérito, um relatório do TCU também teria identificado prejuízo para a Petrobras na operação, ponto que deve ser aprofundado nas próximas etapas da apuração.

O episódio ganhou relevância nacional porque envolve a cadeia de fertilizantes, insumo estratégico para o agronegócio — setor com peso também no interior do Rio Grande do Norte, onde produtores acompanham com atenção os custos de adubos e o noticiário sobre a política de preços e investimentos da estatal.

O que dizem os citados

  • Defesa de Fábio Luís — afirma que não teve acesso integral ao procedimento e contesta o vazamento de trechos do inquérito, sustentando que a divulgação parcial compromete a avaliação dos fatos.
  • Defesa da lobista — também critica os vazamentos e diz que as informações divulgadas não representam o conjunto da apuração.
  • Defesa de Marcola — nega que o ex-chefe de gabinete tenha intermediado negociações ou atuado em favor de interesses privados durante o período em que esteve na chefia de gabinete da Presidência.

A Tribuna RN mantém o espaço aberto para novas manifestações das defesas e dos órgãos citados à medida que o caso evoluir.

O que acontece agora

O inquérito segue em tramitação na Polícia Federal, que ainda pode pedir novas diligências, perícias em aparelhos e quebra de sigilos, além de ouvir os investigados e testemunhas. Ao final, caberá ao Ministério Público avaliar se oferece denúncia à Justiça ou se arquiva o caso, sempre com garantia do contraditório e da ampla defesa.

Até a publicação desta matéria, nenhum dos citados havia sido denunciado formalmente na Justiça em razão desses fatos, de modo que todos permanecem na condição de investigados. Novos detalhes devem ser divulgados pelos órgãos oficiais, e a Tribuna RN vai atualizar este conteúdo à medida que houver posicionamentos formais.

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