PF mira abuso infantil na web e cumpre buscas em dois bairros de Natal
Operações Uiraçu 41 e 42 cumpriram mandados em Mãe Luiza e Planalto para apurar crimes contra crianças e adolescentes na internet na capital potiguar.
Por Tribuna RN
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 12:55 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (G1 RN)

NATAL/RN — A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (24) duas frentes de investigação contra o abuso sexual de crianças e adolescentes praticado pela internet na capital potiguar. Batizadas de Uiraçu 41 e Uiraçu 42, as ações cumpriram dois mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal, em endereços situados nos bairros de Mãe Luiza, na Zona Leste, e Planalto, na Zona Oeste de Natal. Segundo a corporação, o objetivo é reunir provas sobre condutas criminosas no ambiente virtual e identificar possíveis envolvidos.
De acordo com a Polícia Federal no Rio Grande do Norte, os alvos são investigados por suspeita de armazenar, compartilhar ou produzir conteúdo ligado à exploração sexual infantojuvenil por meio de redes e aplicativos. Até a publicação desta matéria, a corporação não havia confirmado prisões em flagrante nem detalhado o material apreendido, e as apurações continuavam sob sigilo para preservar vítimas e diligências em curso.
Buscas em dois bairros da capital potiguar
As ordens judiciais foram cumpridas de forma simultânea em pontos distintos da cidade, estratégia comum para evitar a destruição de provas digitais. Segundo a Polícia Federal, o trabalho desta quinta-feira concentrou-se na seguinte frente:
- Mãe Luiza, Zona Leste: cumprimento de mandado de busca e apreensão em um endereço do bairro, com apreensão de equipamentos eletrônicos para perícia, conforme apurado pela corporação.
- Planalto, Zona Oeste: cumprimento de mandado de busca e apreensão em outro endereço, também com foco na coleta de celulares, computadores e mídias para análise técnica.
- Base legal: todas as medidas foram autorizadas pela Justiça Federal, após representação da Polícia Federal a partir de vestígios reunidos no ambiente digital.
- Perícia: o material recolhido passará por exame para verificar arquivos, conversas e registros de acesso, etapa que costuma definir os próximos pedidos de quebra de sigilo e oitivas.
Ainda segundo a corporação, investigações desse tipo partem de denúncias, de cooperação entre plataformas e autoridades e do rastreio de arquivos que circulam em redes de compartilhamento. A identificação de vítimas recebe prioridade absoluta, com atendimento especializado quando há confirmação de abuso no ambiente físico.
Alerta para famílias potiguares sobre riscos na internet
Além do cumprimento das medidas, a Polícia Federal voltou a orientar pais e responsáveis da Grande Natal e de todo o estado sobre prevenção no dia a dia. De acordo com a corporação, o acompanhamento próximo da rotina digital de crianças e adolescentes reduz a exposição a aliciadores que se passam por colegas de jogo, oferecem presentes virtuais ou migram a conversa para canais privados.
As recomendações reunidas pela corporação para o ambiente doméstico incluem:
- Acompanhar de perto: saber quais jogos, redes e aplicativos os filhos utilizam, com quem conversam e em quais horários ficam conectados.
- Conversar sem tabu: explicar, em linguagem adequada à idade, que pedidos de fotos, chamadas de vídeo estranhas e convites para encontros devem ser recusados e comunicados a um adulto de confiança.
- Configurar proteção: ativar controles parentais, perfis privados e verificação em duas etapas, além de desativar localização pública em postagens de crianças e adolescentes.
- Guardar provas: diante de abordagem suspeita, não apagar conversas, registrar telas e procurar a delegacia mais próxima ou os canais da Polícia Federal.
Na avaliação de especialistas em proteção à infância, a combinação de diálogo em casa e denúncia rápida amplia a chance de interromper ciclos de exploração que começam no virtual e podem migrar para o contato presencial. Escolas das redes pública e privada da capital também têm papel relevante ao identificar mudanças de comportamento e acionar a rede de proteção.
O que acontece agora
O caso segue sob apuração da Polícia Federal no Rio Grande do Norte, responsável pela análise do material apreendido em Mãe Luiza e no Planalto. Até a publicação desta matéria, os investigados são tratados como suspeitos e novas diligências, como oitivas e perícias complementares, devem definir os desdobramentos. Denúncias de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes podem ser feitas pelo Disque 100, pelos canais oficiais da Polícia Federal e, em situações de emergência, pelo 190 da Polícia Militar.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
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