PF apreende R$ 30 milhões em crimes eleitorais e abre 46 inquéritos no RN
Balanço da Polícia Federal aponta R$ 30 milhões retirados de circulação em 2026; no Rio Grande do Norte são 46 apurações, metade por suspeita de caixa dois.
Por Tribuna RN
Publicado em 30 de setembro de 2026 às 20:58 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

NATAL/RN — A Polícia Federal retirou de circulação cerca de R$ 30 milhões em valores ligados a supostos crimes eleitorais desde o início de 2026, segundo balanço divulgado nacionalmente e repercutido no Rio Grande do Norte nesta quarta-feira (30). A cifra equivale ao triplo do registrado em todo o ciclo de 2022 e mantém o pleito deste ano sob vigilância reforçada da corporação, da Justiça Eleitoral e do Ministério Público.
De acordo com os dados apresentados, R$ 19 milhões correspondem a dinheiro em espécie localizado em poder de postulantes ou de supostos intermediários, enquanto R$ 11 milhões dizem respeito a bens estimados em apreensões — entre veículos, imóveis e aparelhos eletrônicos recolhidos em cumprimentos de mandados. O total ainda permanece abaixo dos R$ 63 milhões contabilizados nas eleições municipais de 2024.
RN concentra 46 apurações e mira suposto caixa dois
No recorte potiguar, a corporação instaurou até agora 46 inquéritos para rastrear possíveis irregularidades de campanha. Desse conjunto, 23 procedimentos — metade — tratam de indícios de caixa dois, ou seja, movimentações que teriam ficado de fora das prestações de contas entregues à Justiça Eleitoral.
Segundo investigadores ouvidos em reportagens sobre o tema, a apreensão de valores, isoladamente, não comprova delito eleitoral. O trabalho central consiste em reconstruir o trajeto de cada montante: origem, destino, eventual vínculo com compra de votos e compatibilidade com a renda declarada pelos envolvidos.
Os registros nacionais ajudam a situar o RN no mapa da fiscalização. Em todo o país, já são 1.217 inquéritos sobre a mesma temática, com maior volume no Rio de Janeiro, seguido por Maranhão, Ceará, São Paulo e Paraná. Roraima, Tocantins e Pará lideram em valores apreendidos, com casos que passam de R$ 3 milhões em cada estado.
Operação Sem Lastro e a apuração envolvendo parlamentar
O caso de maior repercussão no estado é a Operação Sem Lastro, deflagrada em 14 de setembro em Natal com dois mandados de busca autorizados pela Justiça Eleitoral. Na ação, os agentes recolheram mais de R$ 1,5 milhão em espécie, além de celulares, documentos e mídias eletrônicas.
Segundo a apuração, as suspeitas formais envolvem suposta falsidade ideológica eleitoral e suposto uso de recursos não contabilizados. Reportagem de O Correio de Hoje apontou que o investigado seria o deputado estadual Luiz Eduardo (PL), que cumpre o primeiro mandato na Assembleia Legislativa e disputa a reeleição. Antes de chegar ao Legislativo, ele comandou a Prefeitura de Maxaranguape entre 2017 e 2021.
Inicialmente, a PF evitou confirmar nomes e limitou-se a informar que havia identificado saques de um agente político em volume supostamente incompatível com o patrimônio declarado. A identificação do parlamentar partiu da imprensa local, a partir do cruzamento de informações oficiais.
A defesa do deputado informou, após a operação, que os valores teriam origem em retiradas das próprias contas bancárias do investigado, com movimentação que classifica como lícita e declarada. Os advogados sustentam que a quantia permanecia guardada na residência, sem aplicação em despesas de campanha, e afirmam que vão apresentar extratos e comprovantes às autoridades. A PF, por sua vez, diz que vai aprofundar a análise sobre procedência, guarda e eventual destinação eleitoral do dinheiro.
Como a fiscalização rastreia o dinheiro vivo
Segundo especialistas em direito eleitoral, o papel-moeda segue como principal meio em supostas compras de votos, justamente por deixar menos rastro que Pix e transferências. Por isso, a fiscalização observa:
- Saques fracionados e retiradas fora do padrão do correntista;
- Valores acima de R$ 50 mil, que exigem aviso prévio ao banco e podem chegar ao Coaf;
- Proximidade com o dia da votação, listas de eleitores e rotas de distribuição;
- Vínculo dos portadores com candidaturas, seja por parentesco, assessoria ou intermediação.
O que acontece agora
O caso segue sob apuração da Polícia Federal e da Justiça Eleitoral, sem conclusão definitiva até a publicação desta matéria. Os bens e valores apreendidos permanecem à disposição das autoridades, e novas diligências — como perícias em celulares, quebra de sigilos autorizada judicialmente e oitivas — devem definir se haverá denúncia formal. A orientação é que eleitores que presenciem oferta de dinheiro ou de vantagens em troca de voto procurem a Justiça Eleitoral e a PF pelos canais oficiais.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
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