Apostas ilegais derrubam Pix em 10% após ofensiva federal
Ministério da Justiça aponta recuo nas transações entre sábado e segunda após bloqueio de sites de bets, páginas e contas ligadas a jogos ilegais no país.
Por Tribuna RN
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 23:55 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Blog do BG)

NATAL/RN — O volume de transferências pelo Pix caiu cerca de 10% entre o sábado (26) e a segunda-feira (28), no período em que o governo federal apertou a fiscalização contra casas de apostas irregulares. O balanço foi divulgado nesta terça-feira (29) pelo Ministério da Justiça, segundo o Blog do BG, com informações do Poder 360.
De acordo com a publicação, a retração seria reflexo direto do bloqueio de repasses para plataformas ilegais. A estratégia oficial mira o fluxo financeiro das bets, considerado o ponto mais sensível da operação dessas empresas.
Para o Rio Grande do Norte, onde o Pix virou meio de pagamento dominante em feiras, mercadinhos, salões e no comércio da Cidade Alta e do Alecrim, o dado ajuda a medir o tamanho do mercado de apostas no movimento bancário nacional. Comerciantes da Grande Natal, de Mossoró e de Caicó acompanham o tema porque qualquer instabilidade no sistema afeta vendas e crediários.
O que puxou a queda no Pix
Segundo o Ministério da Justiça, a redução entre sábado e segunda coincidiu com uma ofensiva coordenada contra o jogo ilegal online. O foco deixou de ser apenas a propaganda e passou para o dinheiro que circula entre apostadores, intermediários e operadores.
As frentes anunciadas incluem:
- Sites fora do ar: pedidos de bloqueio contra 5.209 páginas de apostas apontadas como irregulares.
- Redes sociais: retirada de 390 páginas no Facebook e no Instagram, além de grupos no Telegram que somavam mais de 1 milhão de participantes.
- Trava bancária: notificação a instituições financeiras para suspender transferências a 63 empresas identificadas como destino de recursos de apostas ilegais.
- Aplicativos: remoção de apps irregulares das lojas virtuais e restrições novas à publicidade do setor.
- Apreensões: R$ 4,17 bilhões bloqueados em 12 operações policiais ligadas a jogos de azar.
Ainda conforme a publicação, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, avaliou a queda no Pix como sinal de que as travas financeiras começaram a surtir efeito.
Impacto para o bolso do potiguar
No dia a dia do RN, o Pix sustenta desde a venda do bolo de pote na Zona Norte de Natal até o pagamento de prestadores no interior. Quando o sistema oscila, o efeito aparece no caixa do pequeno negócio, que depende da compensação imediata para repor estoque e pagar fornecedor.
Especialistas em finanças ouvidos em coberturas do setor costumam alertar que parte relevante das transações com bets sai do orçamento doméstico. No Seridó, no Oeste e na Grande Natal, relatos de endividamento ligado a apostas se multiplicaram nos últimos dois anos, com reflexo em atrasos de contas básicas.
Com a ofensiva federal, a expectativa do governo é:
- Reduzir o escoamento: dificultar o envio de dinheiro para plataformas sem autorização.
- Proteger o consumidor: diminuir a exposição a ofertas com promessa de ganho fácil.
- Separar o joio do trigo: preservar casas regularizadas e atingir apenas as ilegais.
- Dar rastreabilidade: facilitar o trabalho de polícia, Banco Central e Receita.
Até a publicação desta matéria, não havia detalhamento sobre quanto da queda no Pix corresponde exatamente a apostas e quanto reflete o comportamento normal de fim de semana, quando o movimento já costuma variar.
Fiscalização e próximos passos
De acordo com o Blog do BG, o governo trata a ação como contínua, e não como operação isolada. Além do bloqueio de domínios, estão previstas novas rodadas de retirada de anúncios, derrubada de aplicativos espelhos e cobrança de responsabilidade de influenciadores que divulgam plataformas irregulares.
Para quem aposta ou acompanha o setor no RN, valem as orientações das autoridades:
- Confira a lista oficial: opere apenas em plataformas autorizadas pelo governo federal.
- Desconfie de promessa de lucro certo: retorno garantido é marca clássica de golpe.
- Guarde comprovantes: extratos do Pix ajudam em eventual contestação no banco.
- Busque ajuda se perder o controle: procure rede de apoio e evite comprometer aluguel, feira e transporte.
Conclusão
A queda de 10% no Pix entre sábado e segunda funciona como termômetro da ofensiva contra as bets ilegais. Os números sobre sites bloqueados, páginas retiradas, empresas notificadas e valores apreendidos mostram uma operação de grande escala, com condução do Ministério da Justiça.
Novos balanços do Banco Central e do governo devem detalhar o comportamento das transações nas próximas semanas. No RN, comerciantes e consumidores devem seguir usando o Pix normalmente, com atenção redobrada a links, anúncios e ofertas de apostas fora da lista oficial.
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