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Fiern cobra máquina enxuta e revisão de contratos para RN voltar a investir

Presidente da Fiern, Roberto Serquiz, apresentou aos candidatos ao governo uma agenda de ajuste fiscal com revisão de contratos, enxugamento da máquina e fundo para destravar investimentos no RN.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 01 de outubro de 2026 às 21:56 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

Fiern cobra máquina enxuta e revisão de contratos para RN voltar a investir
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Agora RN

NATAL/RN — O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte, Roberto Serquiz, defendeu um choque de gestão nas contas estaduais como condição para o estado recuperar a capacidade de realizar obras e atrair empreendimentos. A agenda foi apresentada aos principais postulantes ao Governo do RN durante sabatinas organizadas pela entidade e inclui enxugamento da estrutura administrativa, reexame de contratos vigentes, compras públicas mais eficientes e avaliação do patrimônio estadual, segundo relato do portal Agora RN.

O pano de fundo é o estrangulamento fiscal potiguar. De acordo com os números citados na apresentação da Fiern, o comprometimento da receita com pessoal coloca o Rio Grande do Norte em posição delicada no ranking nacional e comprime o espaço para investimentos, justamente quando a indústria cobra infraestrutura, logística e previsibilidade para ampliar a atividade econômica.

Raio-x das contas: pessoal no teto e investimento no piso

Os dados expostos pelo dirigente desenham um quadro de alerta para o próximo mandato, independentemente de quem vença a disputa estadual:

  • Folha acima do limite: no primeiro quadrimestre de 2026, o estado destinou 56,12% da Receita Corrente Líquida ajustada ao gasto com pessoal, o maior índice entre as unidades da federação e patamar superior ao teto de 49% fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
  • Despesa concentrada: em doze meses encerrados em abril, o desembolso com pessoal somou R$ 11,28 bilhões, diante de uma receita ajustada de R$ 20,11 bilhões no mesmo intervalo.
  • Rombo previdenciário: o regime próprio dos servidores civis arrecadou R$ 3,537 bilhões em 2025 e desembolsou R$ 5,559 bilhões em benefícios, deixando um hiato superior a R$ 2 bilhões coberto pelo Tesouro estadual.
  • Investimento residual: em 2025, conforme a Secretaria do Tesouro Nacional, pessoal e encargos absorveram 75% da receita potiguar, o custeio ficou com 21%, a dívida com 2% e os aportes em obras e equipamentos com apenas 4% — o menor percentual do país, frente a 13% registrados na Paraíba no mesmo comparativo.

Para a federação industrial, a combinação de folha inchada, déficit previdenciário e custeio elevado forma um garrote que trava contrapartidas de convênios, afasta financiamentos e adia intervenções em estradas, energia e saneamento.

O cardápio proposto ao futuro governador

Diante desse diagnóstico, Serquiz listou um conjunto de providências administrativas para recompor a margem de manobra do Executivo estadual. As sugestões, de acordo com a cobertura, foram entregues diretamente aos concorrentes ao governo como contribuição técnica do setor produtivo.

  • Estrutura mais enxuta: redesenho do organograma estadual, com fusões e extinções de estruturas redundantes e contenção de cargos e funções.
  • Revisão de contratos: pente-fino nos acordos em vigor para renegociar valores, corrigir distorções e elevar a qualidade dos serviços terceirizados.
  • Compras mais eficientes: padronização de processos licitatórios e centralização de aquisições para obter escala e reduzir preços pagos pelo erário.
  • Ativos em avaliação: mapeamento dos mais de 4 mil imóveis e participações do estado, com menção específica à Caern, cuja recuperação estrutural foi estimada em cerca de R$ 10 bilhões, sem definição prévia de modelagem.
  • Fundo de desenvolvimento: constituição de reserva destinada a garantir contrapartidas e abrir acesso a linhas de crédito para projetos prioritários.

O presidente da entidade reconheceu que a execução esbarra em resistências políticas e corporativas, mas afirmou que o corpo técnico da federação permanece à disposição do futuro governo para detalhar as propostas. A defesa é que o ajuste ocorra em paralelo à criação de ambiente favorável a novos negócios, de modo que o controle de gastos caminhe junto com a ampliação da base de receitas.

Conclusão

A mensagem da indústria ao Palácio do próximo ano é direta: sem reorganizar a máquina e estancar o avanço da folha, o Rio Grande do Norte seguirá com mínima capacidade de investir e perderá terreno na disputa por empreendimentos no Nordeste. A sabatina da Fiern colocou números e alternativas sobre a mesa dos candidatos, e cabe agora ao eleitor cobrar compromissos verificáveis — com metas, prazos e fontes de recursos — nos dias restantes de campanha. Até a publicação desta matéria, as campanhas ainda detalhavam seus programas de governo, e novos posicionamentos sobre a agenda fiscal devem surgir na reta final da disputa estadual.

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