Votação inédita em presídio feminino marca história no RN
Urna instalada pela primeira vez em unidade prisional potiguar, no CDP Feminino em Natal, recebeu 46 eleitoras; Lula, Cadu e Samanda lideraram nos cargos majoritários.
Por Tribuna RN
Publicado em 06 de outubro de 2026 às 19:36 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Mossoró Notícias)

NATAL/RN — O Rio Grande do Norte registrou um marco na organização do pleito deste ano. Pela primeira vez, a Justiça Eleitoral instalou uma urna eletrônica dentro de uma unidade prisional potiguar para colher votos de internas provisórias. A estrutura funcionou no Centro de Detenção Provisória Feminino, na capital, e reuniu 46 eleitoras aptas, vinculadas à seção 642 da 1ª Zona Eleitoral natalense. De acordo com os dados divulgados após a apuração, os nomes mais escolhidos naquela urna para os postos majoritários foram Lula, Cadu de Lula e Samanda de Lula.
A iniciativa garante a um grupo historicamente fora do alcance das seções comuns o exercício de um direito previsto na Constituição para quem ainda não possui condenação definitiva: o voto. Até a publicação desta matéria, o Tribunal Regional Eleitoral potiguar não havia detalhado se o modelo será ampliado para outras unidades do estado nos próximos pleitos.
Como foi a votação no CDP Feminino
Segundo as informações repassadas pela organização do pleito, a coleta aconteceu com o mesmo equipamento eletrônico usado nas escolas e ginásios da Grande Natal, sob acompanhamento de mesários e fiscais. A seção instalada na unidade prisional somou 46 comparecimentos, sem registro de intercorrência divulgado até o momento.
- Onde: Centro de Detenção Provisória Feminino, em Natal;
- Seção: 642, ligada à 1ª Zona Eleitoral da capital;
- Público: 46 internas provisórias aptas a votar;
- Novidade: estreia absoluta desse tipo de atendimento no sistema prisional do RN;
- Apuração: boletim de urna divulgado ao fim do dia de votação.
Para especialistas em direito eleitoral ouvidos em coberturas anteriores sobre o tema, a presença do Estado dentro da unidade para assegurar o voto tem valor simbólico e prático: reafirma a presunção de inocência de quem aguarda julgamento e mantém o vínculo da pessoa com a vida civil.
Placar da urna nos cargos majoritários
Os números daquela seção específica mostram vantagem clara para um mesmo grupo político nas três disputas majoritárias. Confira o detalhamento divulgado:
- Governo do Estado: Cadu de Lula somou 17 sufrágios, seguido por Álvaro Dias, com 11, e Allyson Bezerra, com 6;
- Senado Federal: Samanda de Lula alcançou 16 votos, contra 7 de Rafael Motta e 6 de Styvenson Valentim;
- Presidência da República: Lula obteve 36 votos — o equivalente a 83,72% dos válidos na urna — diante de 6 anotados para Flávio Bolsonaro e 1 para Augusto Cury.
Os totais se referem exclusivamente ao universo daquela urna prisional e não refletem o resultado geral de Natal, da Grande Natal ou do Rio Grande do Norte. A leitura política, portanto, vale como retrato de um grupo específico de eleitoras em contexto de privação de liberdade na capital, e não como tendência estadual.
Por que o fato é relevante para o RN
A estreia ocorre em um estado que acompanha de perto o debate sobre sistema prisional, com unidades na Grande Natal, em Mossoró, no Vale do Açu e no Seridó frequentemente no centro das discussões sobre segurança pública. Ao levar a urna para dentro do CDP Feminino, a Justiça Eleitoral sinaliza que a execução provisória da prisão não suspende automaticamente os direitos políticos — a perda só acontece com condenação criminal transitada em julgado, nos termos da legislação.
Na prática, a medida também reduz custos e riscos logísticos, pois evita o deslocamento de escoltas para seções externas. Além disso, cria um precedente operacional: mesários treinados, cadeia de custódia do equipamento e atas próprias passam a compor o repertório da organização eleitoral potiguar para edições futuras.
Conclusão
O episódio do CDP Feminino deve entrar para o balanço oficial do pleito no estado como uma das novidades de 2026. Novos detalhes — como o índice de comparecimento em relação ao total de aptas e a avaliação da logística de segurança — devem ser divulgados pelos órgãos responsáveis nos próximos dias. Para o eleitor da Grande Natal e do interior, fica o registro histórico: pela primeira vez, uma urna funcionou atrás dos muros de um presídio potiguar e ajudou 46 mulheres a exercer a cidadania pelo voto.
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