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Um em cada cinco eleitores faltou ao 1º turno e abstenção é a maior desde 1998

Taxa de 21,08% superou a de 2022 e tirou mais de 33 milhões das urnas no domingo, segundo o TSE; no RN, a ausência chegou a 18,39% do eleitorado apto.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 05 de outubro de 2026 às 13:56 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Tribuna do Norte)

Um em cada cinco eleitores faltou ao 1º turno e abstenção é a maior desde 1998
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Tribuna do Norte

NATAL/RN — Mais de 33 milhões de eleitores deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno das eleições gerais de 2026, realizado neste domingo (4). O índice de abstenção chegou a 21,08% do eleitorado, superando os 20,95% registrados no primeiro turno de 2022 e se tornando o maior desde 1998. Os números foram divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e repercutidos pela Tribuna do Norte.

Na prática, um em cada cinco brasileiros aptos a votar não participou da escolha de presidente, governadores, senadores e deputados. O resultado confirma uma curva de afastamento que vem se desenhando nas últimas quatro eleições gerais e acende o alerta sobre o engajamento do eleitor com o processo democrático.

O tamanho da ausência nas urnas

Os dados do TSE mostram que a conta dos ausentes passou da casa dos 33 milhões de pessoas — contingente superior à população de muitos estados somados. A taxa de 21,08% representa uma alta em relação ao pleito de 2022 e consolida o domingo como o primeiro turno com a menor presença de eleitores em quase três décadas, desde o pleito de 1998.

Especialistas ouvidos em coberturas eleitorais costumam associar o fenômeno a uma combinação de fatores: descrédito com a classe política, deslocamentos no dia da votação, filas e calor em algumas regiões, além da migração de eleitores que não atualizaram o domicílio eleitoral. Até a publicação desta matéria, o TSE não havia detalhado o perfil predominante entre os faltosos deste ano.

O recorte potiguar: quase um quinto ficou em casa

No Rio Grande do Norte, o comportamento seguiu a mesma linha nacional. Dados da apuração no estado apontam que 18,39% do eleitorado apto não compareceu às urnas — ou seja, quase um em cada cinco potiguares deixou de votar. Entre os que foram às seções, os votos brancos somaram 4,75% e os nulos chegaram a 5,65%.

Somados, ausentes, brancos e nulos formam um bloco expressivo que, em volume, supera a votação de vários candidatos competitivos no estado. O número reforça o desafio dos partidos para reconquistar o eleitor desiludido até o segundo turno.

Quem faltou precisa justificar — veja como regularizar

A ausência sem justificativa traz consequências previstas nas regras eleitorais. Segundo a Justiça Eleitoral, o eleitor que não votou nem justificou no dia da eleição tem prazo de 60 dias após cada turno para apresentar a justificativa, pelo aplicativo e-Título, pelo sistema Justifica ou presencialmente em um cartório eleitoral.

Quem perde o prazo fica sujeito a multa e a uma série de restrições enquanto estiver em débito com a Justiça Eleitoral, como:

  • Impedimento para tirar passaporte e carteira de identidade em alguns casos;
  • Bloqueio para tomar posse em cargo público após aprovação em concurso;
  • Restrições para se matricular em universidades públicas e para obter empréstimos em bancos oficiais.

A boa notícia é que a falta no primeiro turno não impede o voto no segundo: quem esteve ausente no domingo pode — e deve — comparecer normalmente à próxima etapa, desde que esteja com o título regular.

Conclusão

A abstenção recorde de 2026 impõe uma reflexão que vai além da estatística: com mais de 33 milhões de ausentes, o resultado das urnas foi decidido por uma parcela menor do eleitorado do que a lei prevê como ideal. Para o segundo turno, a orientação da Justiça Eleitoral é que cada eleitor confira com antecedência o local de votação no e-Título, organize o deslocamento e, se estiver fora do domicílio, programe a justificativa. A participação de cada potiguar pode fazer a diferença em disputas que, como se viu no primeiro turno, se decidem voto a voto.

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