PSOL deixa disputa no RN e concentra apoio em Cadu a dias do 1º turno
Diretório estadual aprovou por ampla maioria a saída de Robério Paulino da corrida ao Governo e orientou a militância a reforçar a campanha de Cadu de Lula (PT) na reta final do primeiro turno.
Por Tribuna RN
Publicado em 01 de outubro de 2026 às 16:36 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (TCM Notícia)

NATAL/RN — O PSOL potiguar decidiu sair da disputa pelo Governo do Estado a três dias do primeiro turno e vai marchar com a candidatura de Cadu de Lula (PT). A deliberação foi tomada pelo diretório estadual na noite de quarta-feira (30), por ampla maioria, e determina a retirada do nome do professor Robério Paulino da corrida ao Executivo estadual nas Eleições 2026, segundo informou a TCM Notícia.
Com a decisão, a legenda passa a integrar formalmente o arco de apoio ao petista na reta final da campanha. A orientação interna é que dirigentes, setoriais e militantes se somem às agendas de rua e às mobilizações digitais da chapa liderada pelo PT a partir desta quinta-feira (1º), em Natal, na Grande Natal e nos municípios do interior onde o partido tem núcleos organizados.
Decisão na véspera do primeiro turno
A resolução aprovada pelo diretório relaciona a medida ao momento de afunilamento da disputa estadual. De acordo com a direção psolista, os levantamentos recentes de intenção de voto apontam uma briga direta entre Cadu de Lula e Álvaro Dias (PL) por uma vaga no segundo turno, o que teria motivado a concentração de forças no campo progressista para tentar segurar o adversário ligado ao Partido Liberal fora da etapa final.
Entre os pontos destacados pela legenda estão:
- Calendário curto: a definição saiu na noite de quarta-feira (30), a poucos dias da votação de domingo;
- Quórum qualificado: o texto foi chancelado por ampla maioria do diretório estadual, de acordo com a direção;
- Foco no segundo turno: o objetivo declarado é garantir a presença do PT na fase decisiva da eleição para governador;
- Leitura das pesquisas: a cúpula cita o cenário de disputa acirrada mostrado por institutos nos últimos dias.
A avaliação interna é que a manutenção de uma candidatura própria neste momento dividiria votos do mesmo espectro político e reduziria as chances de o bloco chegar ao segundo turno. Por isso, a sigla optou por unificar o palanque no RN, em sintonia com a aliança nacional que o PSOL mantém com a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Sem barganha e com programa próprio
Um dos trechos mais enfatizados pela direção estadual é que o gesto não envolveu negociação por espaços na máquina ou contrapartida financeira em uma eventual gestão petista. Segundo a resolução, não houve pedido de cargos nem acerto de participação no governo em troca do apoio eleitoral.
Em vez disso, o PSOL afirma que vai entregar ao candidato do PT um conjunto de propostas retiradas do seu próprio plano de governo, para que a equipe de Cadu de Lula analise e decida o que pode ser incorporado. A ideia, de acordo com o partido, é influenciar o programa sem abrir mão de independência para criticar pontos em que há divergência histórica.
Entre os temas em que a legenda diz que manterá posição autônoma estão:
- Incentivo fiscal: as regras do Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (Proedi), voltado à atração de empresas para o interior e a Grande Natal;
- Relações de trabalho no serviço público: o histórico de judicialização de greves pelo Poder Executivo, ponto sensível para sindicatos de Natal, Mossoró e Caicó;
- Fiscalização do governo: a promessa de manter cobrança pública mesmo após o anúncio de apoio.
O recado é dirigido especialmente à militância do Seridó, do Oeste e do Vale do Açu, onde o partido costuma atuar em movimentos sociais, universidades e categorias do funcionalismo. A orientação é fazer campanha mantendo identidade própria, sem dissolver as bandeiras da sigla na estrutura do PT.
O que acontece agora
Conclusão
A saída do PSOL reorganiza o tabuleiro a poucos dias da votação e deve concentrar ainda mais as atenções na disputa entre o PT e o PL pela segunda vaga no turno final. Na prática, o eleitor potiguar — de Natal a Mossoró, de Caicó a Pau dos Ferros — passa a ter um palanque progressista unificado, com a militância psolista convocada a pedir votos para Cadu de Lula em bairros, feiras, campi e redes sociais até domingo.
Até a publicação desta matéria, o movimento era tratado como deliberação interna já aprovada, cabendo agora os trâmites formais junto à Justiça Eleitoral para baixa do registro e a oficialização do apoio nas peças de campanha. Novos detalhes sobre o formato da participação — como presença em guias eleitorais, caminhadas na Via Costeira, no Alecrim e na zona Norte de Natal, além de carreatas no Oeste — devem ser divulgados pelas coordenações das duas legendas. O cenário segue em apuração e pode ter desdobramentos até a véspera do pleito.
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