Racha na federação: PV abre processo para expulsar vereador que aderiu a Allyson
Vereador Herberth Sena, de Natal, anunciou apoio a Allyson Bezerra no segundo turno do Governo do RN e entrou na mira do PV, que prepara comissão de ética e cita afastamento das pautas da legenda.
Por Tribuna RN
Publicado em 15 de outubro de 2026 às 13:22 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Blog do BG)

NATAL/RN — O segundo turno da disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte provocou um racha público na base da Federação Brasil da Esperança na capital potiguar. O vereador natalense Herberth Sena, filiado ao Partido Verde, anunciou apoio ao candidato Allyson Bezerra, do União Brasil, e passou a responder a um procedimento interno que pode terminar em expulsão, segundo a direção estadual da sigla.
De acordo com o apurado junto à cúpula verde no estado, o PV integra a federação ao lado de PT e PCdoB, bloco que sustenta a candidatura de Cadu no segundo turno. A adesão do parlamentar a um palanque adversário foi classificada pela legenda como ruptura com o programa partidário e motivou a abertura de análise disciplinar, com garantia de contraditório.
Direção estadual fala em afastamento e cria comissão de ética
O presidente estadual do PV, Rivaldo Fernandes, afirmou que o distanciamento do vereador não seria recente. Segundo ele, o parlamentar teria se afastado das bandeiras e das atividades da sigla logo após a campanha municipal, o que já vinha sendo discutido internamente.
Para formalizar o processo, o diretório estadual — composto por 22 membros — deve se reunir na próxima semana para indicar uma comissão de ética. O colegiado ficará responsável por:
- Notificar o vereador e assegurar prazo para apresentação de defesa escrita;
- Reunir registros de atuação parlamentar, votações e manifestações públicas;
- Avaliar o alinhamento com as diretrizes da federação no pleito estadual;
- Recomendar sanção, que pode variar de advertência à expulsão do quadro de filiados.
Segundo a direção, a frase atribuída a Rivaldo resume o entendimento atual do partido sobre a situação: o PV já trataria o vereador como fora do projeto político da legenda, mas seguirá o rito estatutário antes de qualquer decisão definitiva.
Apoio a Allyson e base de Paulinho Freire estão no centro do impasse
Além da adesão ao nome do União Brasil no segundo turno estadual, o PV questiona outros dois movimentos do vereador na cena natalense. O primeiro é a permanência na base do prefeito de Natal, Paulinho Freire, também do União Brasil. O segundo é o suporte declarado ainda no primeiro turno ao ex-prefeito Álvaro Dias, do PL, na corrida estadual.
Herberth tornou público o apoio a Allyson na terça-feira (13), em publicações nas redes sociais, nas quais defendeu uma dobradinha entre o candidato ao governo e a gestão municipal da capital. Na sessão da Câmara Municipal de Natal desta quarta-feira (14), ele voltou ao tema na tribuna e apresentou a escolha como gesto de fidelidade ao grupo do prefeito.
Na ocasião, o vereador usou uma expressão de efeito para dizer que mantém posição única, sem divisão entre dois palanques. O discurso repercutiu entre aliados de Allyson e ampliou o atrito com dirigentes da federação, que esperavam disciplina no segundo turno.
Reeleito em 2024 com 6.709 votos para o segundo mandato consecutivo, Herberth construiu votação concentrada em bairros da capital e se apresenta como nome ligado às pautas comunitárias. Uma eventual saída compulsória, segundo a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral citada em análises sobre o tema, não costuma provocar perda automática do mandato quando a iniciativa parte da própria agremiação, pois não se configura infidelidade com troca voluntária de partido.
Procurado para comentar a possibilidade de desligamento, o parlamentar não havia se manifestado sobre o mérito do processo até a publicação desta matéria, segundo o relato original do caso.
O que acontece agora
O próximo passo é a reunião do diretório estadual do PV, que deve instalar a comissão e abrir prazo de defesa. Somente após o relatório do colegiado o partido decidirá se aplica advertência, suspensão ou expulsão.
Nos bastidores, o episódio é lido como teste de coesão da Federação Brasil da Esperança no RN em plena reta final do segundo turno. Uma decisão dura pode servir de recado a outros filiados, enquanto uma saída negociada evitaria prolongar o desgaste público. Novos desdobramentos devem surgir após a reunião prevista para a próxima semana em Natal.
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