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Rafael diz que superou veto petista e aposta em chapa unida no RN

Candidato ao Senado na chapa de Cadu Xavier, Rafael Motta reconheceu atritos com o PT por impeachment de Dilma e disputa de 2022, mas afirmou que a aliança governista selou a unidade para 2026.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 25 de setembro de 2026 às 11:15 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

Rafael diz que superou veto petista e aposta em chapa unida no RN
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Agora RN

NATAL/RN — O candidato ao Senado Rafael Motta (PDT) admitiu publicamente, em entrevista concedida nesta quinta-feira (24), que encontrou barreiras dentro do PT ao ser incluído na chapa governista do Rio Grande do Norte. Segundo ele, as divergências que marcaram os últimos anos foram encerradas com a formalização da aliança que sustenta Cadu Xavier (PT) ao Governo do Estado e tem ainda a vereadora Samanda Alves (PT) na disputa pela segunda vaga ao Senado.

A declaração tenta colocar um ponto final em um dos nós mais comentados da pré-campanha potiguar: a convivência entre um ex-adversário histórico dos petistas e a máquina partidária que hoje o abriga no mesmo palanque, com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Raízes do atrito com o PT

De acordo com o próprio Rafael, o desconforto de parte da militância tem origem em três episódios bem conhecidos da política potiguar e nacional:

  • Voto pelo impeachment em 2016: então deputado federal pelo PSB, ele votou a favor da abertura do processo contra a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). Na entrevista, ele classificou a posição como um equívoco e disse se arrepender com convicção.
  • Disputa direta em 2022: ele concorreu ao Senado pelo PSB no mesmo pleito em que o PT lançou Jean-Paul Prates. A cadeira acabou com Rogério Marinho (PL). Neste ano, Jean-Paul aparece como primeiro suplente da chapa de Rafael, em um gesto de recomposição.
  • Embate municipal em 2024: na corrida pela Prefeitura de Natal, Rafael trocou farpas com a deputada federal Natália Bonavides (PT), hoje candidata à reeleição e referência da esquerda na capital.

"O PT é um partido muito grande, muito orgânico. Existem correntes internas que, muitas vezes, não se entendem", afirmou Rafael, segundo o Agora RN. "Quando o partido entra numa decisão e resolve democraticamente o caminho a percorrer, abaixam-se as armas e caminha-se junto."

Na mesma conversa, ele disse nutrir admiração por Natália e pelo deputado federal Fernando Mineiro (PT) e defendeu o fortalecimento da federação formada por PT, PCdoB e PV na Câmara.

Chapa governista e cenário para 2026

A arquitetura eleitoral em construção no RN prevê duas vagas ao Senado em 2026, o que permite acomodar interesses distintos no mesmo grupo. De um lado, Samanda Alves representa a renovação interna petista, com base em Natal. De outro, Rafael busca agregar o eleitorado de centro que o levou a votações expressivas na Grande Natal, no Oeste e no Seridó.

O episódio mais visível do mal-estar ocorreu em julho, durante a inauguração do Túnel Major Sales, em Luís Gomes, no Alto Oeste. Rafael ficou fora do palco principal e só foi chamado após intervenção direta de Lula ao microfone, que disse ter havido um esquecimento na condução das autoridades. A cena correu as redes e foi lida por analistas como símbolo da desconfiança ainda latente na base.

Desde então, segundo aliados ouvidos pela imprensa estadual, houve uma operação de aproximação, com agendas compartilhadas, fotos de unidade e a inclusão de Jean-Paul como suplente — um aceno direto ao núcleo que mais resistia ao nome do pedetista.

O que acontece agora

Com a chapa praticamente selada, o desafio passa a ser transformar o acordo de cúpula em mobilização nos diretórios municipais, dos bairros de Natal e Parnamirim às cidades-polo como Mossoró, Caicó, Pau dos Ferros, Assú e Currais Novos. Até a publicação desta matéria, o grupo não detalhou calendário oficial de convenções nem a divisão de recursos e tempo de propaganda.

A tendência, segundo observadores da política potiguar, é que Rafael intensifique visitas ao interior ao lado de Cadu Xavier para testar a recepção da militância petista nas bases. Novos capítulos dessa acomodação devem surgir nas próximas rodadas de pesquisas e nos guias eleitorais. A orientação para o eleitor é acompanhar os registros oficiais no Tribunal Regional Eleitoral e os canais institucionais dos partidos para confirmar candidaturas, prazos e regras da disputa de 2026.

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