RN dobra presença de trabalhadores com ensino médio em 13 anos, diz IBGE
PNAD Contínua mostra que 66,3% dos ocupados no estado já concluíram ao menos o ensino médio e desemprego cai ao menor nível desde 2012.
Por Tribuna RN
Publicado em 27 de setembro de 2026 às 23:35 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

NATAL/RN — O perfil de quem trabalha no Rio Grande do Norte mudou de cara em pouco mais de uma década. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, divulgada pelo IBGE, a fatia de ocupados com pelo menos o ensino médio concluído saltou de 42,7% em 2012 para 66,3% em 2025, em um universo de 1,36 milhão de pessoas trabalhando no estado.
O levantamento, que detalha as características adicionais do mercado de trabalho, foi publicado com base em entrevistas domiciliares em todo o país. No caso potiguar, os números indicam que a escola passou a pesar mais na hora de conseguir e manter uma vaga, da Grande Natal ao Seridó e ao Oeste.
Salto na escolaridade muda a cara do trabalho potiguar
A composição de 2025 ajuda a entender a virada. De acordo com o IBGE, 41,2% dos ocupados tinham o ensino médio completo e 25,1% já haviam concluído o ensino superior. Na outra ponta, o grupo sem instrução ou com fundamental incompleto despencou de 40,7% para 21,8% no mesmo intervalo de 13 anos.
Os destaques da série histórica para o RN são:
- Ensino médio ou mais: de 42,7% em 2012 para 66,3% em 2025;
- Superior completo: de um patamar próximo a um quinto no início da série para 25,1% em 2025;
- Sem instrução ou fundamental incompleto: de 40,7% para 21,8%;
- Fundamental completo com médio incompleto: de 16,7% para 11,9%;
- Avanço recente: entre 2024 e 2025, os menos escolarizados caíram de 26,2% para 21,8%, enquanto os com diploma universitário subiram de 21,1% para 25,1%.
Para a Secretaria de Estado da Educação, os dados confirmam que mais jovens chegam ao mercado com a educação básica concluída e com passagem pelo ensino superior. A titular da pasta, Socorro Batista, avaliou que o cenário reforça a necessidade de garantir acesso, permanência e aprendizagem em todas as etapas, além de ampliar trilhas de formação técnica e profissional para a juventude potiguar.
Mais gente ocupada e desemprego no menor nível da série
O avanço educacional veio acompanhado de expansão do emprego. Conforme o instituto, o RN somava 1,36 milhão de ocupados em 2025, cerca de 103 mil a mais do que em 2012, alta de 8,1%. A taxa de desocupação ficou em 8,07%, a menor de toda a série iniciada em 2012, segundo os dados divulgados.
O setor que mais puxou contratações no período reúne administração pública, defesa, seguridade, educação, saúde e serviços sociais. O contingente nessas atividades passou de 232 mil para 352 mil trabalhadores, acréscimo de 120 mil postos em 13 anos, movimento sentido em hospitais, escolas, prefeituras e serviços de cuidado na capital e no interior.
Técnicos do IBGE lembram que o módulo de mercado de trabalho permite cruzar escolaridade com setor, formalização, sindicalização e tipo de local de trabalho. A série inclui reponderação pelo Censo Demográfico de 2022 e não teve divulgação em 2020 e 2021 por causa da pandemia, o que exige cautela em comparações ano a ano naquele biênio.
Conclusão
O retrato deixado pelo levantamento é direto para quem vive no estado: estudar mais passou a ser condição comum entre os ocupados, e a queda do desemprego ao mínimo histórico divide espaço com a exigência maior por diploma. Para o trabalhador potiguar, o recado prático é buscar a conclusão do ensino médio, cursos técnicos e qualificação contínua, áreas em que redes estadual, federal e o Sistema S mantêm vagas abertas na Grande Natal, em Mossoró e em Caicó.
Até a publicação desta matéria, a Secretaria de Educação não detalhou novas metas de matrícula atreladas aos números, mas informou que deve usar o diagnóstico para orientar políticas de permanência e de ampliação do ensino médio em tempo integral. Novos recortes da PNAD, com renda e informalidade por nível de instrução, devem aprofundar o debate sobre quanto o diploma se converte em salário no bolso do potiguar.
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