Seca avança e RN fecha agosto com chuva 55% abaixo do esperado
Levantamento da Emparn citado em decreto estadual aponta colapso das precipitações e embasa emergência em 123 municípios potiguares.
Por Tribuna RN
Publicado em 26 de setembro de 2026 às 14:05 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Tribuna do Norte)

NATAL/RN — O Rio Grande do Norte fechou o mês de agosto com um volume de chuvas 55% abaixo da média esperada para o período. O dado consta de análise pluviométrica da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), citada pelo Governo do Estado no decreto que reconheceu situação de emergência pela seca em 123 municípios potiguares. O número confirma o que sertanejos do Seridó, do Oeste e do Alto Oeste já sentiam no campo: barreiros secando antes da hora, pasto ralo e torneira com rodízio em várias cidades.
De acordo com a Tribuna do Norte, o levantamento da Emparn serve de base técnica para o decreto estadual de emergência. Na prática, o reconhecimento abre caminho para ações de socorro — de carros-pipa a crédito emergencial e liberação de recursos — nos municípios mais castigados pela estiagem prolongada.
O retrato de agosto nos pluviômetros do RN
Agosto já é, historicamente, um mês de pouca chuva em boa parte do estado, com o período chuvoso concentrado no primeiro semestre. O problema, segundo a análise citada pelo governo, é que o volume veio ainda menor que o pouco esperado: pouco mais de quatro décimos do previsto. Para o leitor entender o peso do número:
- Queda expressiva: o estado registrou 55% menos chuva do que a média histórica de agosto.
- Fonte técnica: análise pluviométrica da Emparn, órgão oficial de monitoramento agropecuário e climático do RN.
- Base legal: o dado foi incorporado ao decreto estadual que declarou emergência por seca em 123 municípios — quase três quartos das cidades potiguares.
- Regiões mais sensíveis: Seridó, Oeste, Alto Oeste e parte do Vale do Açu, onde reservatórios de pequeno porte e cisternas sentem primeiro a falta de recarga.
- Efeito direto: redução da água para consumo humano e animal, quebra de plantações de sequeiro e pressão sobre o pasto e o preço de ração.
Em Caicó, no coração do Seridó, e em cidades como Mossoró, Pau dos Ferros e Assú, o cenário se repete a cada ciclo seco: o agricultor familiar segura o rebanho com o que tem no barreiro, o pequeno produtor adia o plantio e as prefeituras passam a contar carro-pipa por comunidade.
Emergência em 123 municípios e efeito no interior
O decreto de emergência não é um gesto simbólico. Com o reconhecimento formal, os municípios listados ficam aptos a pedir apoio estadual e federal, acelerar contratações emergenciais de abastecimento e acessar linhas de crédito e renegociação voltadas ao homem do campo. Para o interior, onde a economia gira em torno de agropecuária, feira livre e comércio de bairro, cada semana sem chuva pesa no bolso.
A orientação para este período, segundo os órgãos de monitoramento e a Defesa Civil, segue o roteiro conhecido do sertanejo, mas que precisa de reforço:
- Economizar água: revisar vazamentos, reaproveitar água de serviço e evitar desperdício na irrigação de quintais.
- Acompanhar os boletins: seguir as previsões da Emparn e os avisos da Defesa Civil municipal antes de deslocar rebanho ou iniciar plantio.
- Buscar atendimento: em falta d'água, acionar a prefeitura e a Defesa Civil local; em perdas agrícolas, procurar Emater e sindicatos rurais para orientações sobre crédito e garantia-safra.
- Cuidar da saúde: com poeira e calor, redobrar hidratação de crianças e idosos e evitar queimadas, que pioram a qualidade do ar.
Vale lembrar que o abastecimento das grandes cidades da Grande Natal depende de mananciais e adutoras com outra dinâmica, mas o interior — do Seridó ao Oeste — sente o baque de forma imediata, com comunidades rurais no fim da linha de distribuição.
Conclusão
O agosto 55% abaixo da média acende o alerta para a reta final do ano no RN: sem recarga, os reservatórios menores entram no período mais quente já em nível baixo, e a pressão sobre carros-pipa e adutoras tende a crescer. A medida passa a valer com o decreto de emergência nos 123 municípios e deve impactar diretamente a rotina do interior nas próximas semanas. Novos boletins da Emparn e comunicados do Governo do Estado devem detalhar a lista de cidades, os prazos de vigência e as ações de socorro — e a orientação é que produtores e moradores acompanhem os canais oficiais antes de tomar decisões no campo.
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