ANP desenha 501 blocos no mar e bacia potiguar entra na nova fronteira do petróleo
Agência delimitou 11 setores e 501 blocos em águas profundas, incluindo a bacia potiguar; decisão é técnica e ainda não libera oferta de áreas.
Por Tribuna RN
Publicado em 04 de outubro de 2026 às 00:35 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Tribuna do Norte)

NATAL/RN — A bacia potiguar passou a integrar o novo mapa de fronteiras exploratórias do petróleo no Brasil. A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou na sexta-feira (2) a delimitação de 11 setores e a configuração de 501 blocos na Margem Equatorial, em área incorporada à Plataforma Continental brasileira, o que reposiciona o litoral do Rio Grande do Norte no tabuleiro da exploração em águas profundas.
De acordo com a agência, a medida reorganiza o território exploratório após a ampliação do limite exterior da Plataforma Continental, reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em março de 2025. Segundo a ANP, os novos recortes abrangem cerca de 380 mil quilômetros quadrados e foram enquadrados como Nova Fronteira Exploratória.
O que a ANP decidiu na sexta-feira
A deliberação detalha a geometria das áreas e cria a base técnica para futuras análises de oferta. Os pontos centrais, segundo o comunicado da agência, são:
- 11 setores inéditos: distribuídos pelas bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.
- 501 blocos configurados: todos situados em lâmina d'água superior a 3 mil metros, perfil típico de exploração em alto-mar.
- Três setores ajustados: os limites de SFZA-AP4, SPAMA-AUP1 e SPAMA-AUP2 foram redesenhados para acomodar a nova configuração da Plataforma Continental.
- Origem do processo: a ampliação decorre do Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira (LEPLAC), coordenado pela Marinha do Brasil com participação da ANP e chancelado pela Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU.
Com a conclusão do pleito brasileiro junto ao organismo internacional, o país passou a exercer direitos soberanos sobre os recursos do leito e do subsolo marinho nessa faixa estendida, o que abriu caminho para o redesenho dos setores.
Decisão ainda não significa leilão nem contrato
A agência fez questão de ressaltar o caráter preliminar do ato. A aprovação dos setores e blocos, por si só, não inclui nenhuma área no regime de Oferta Permanente nem gera contratos, conforme nota divulgada após a reunião de diretoria:
- Natureza técnica: o ato estabelece a configuração das áreas e sua classificação exploratória, sem indicar blocos para oferta.
- Rito próprio: uma eventual destinação de blocos ao mercado dependerá de análise específica, com avaliações e manifestações previstas em regulamento, envolvendo a ANP e outros órgãos.
- Contratos preservados: nenhum acordo vigente é afetado, porque as áreas recém-configuradas ainda não foram contratadas.
- Meio ambiente: a análise socioambiental considerada no desenho avaliou unidades de conservação e, segundo a agência, não identificou sobreposições ou proximidades que inviabilizassem os recortes propostos.
Para o Rio Grande do Norte, que já convive com a produção em terra e no mar raso da bacia potiguar, a inclusão no mapa da Margem Equatorial sinaliza uma perspectiva de longo prazo, condicionada a estudos ambientais, consultas a órgãos competentes e decisões futuras sobre oferta.
O que acontece agora
A partir da delimitação, caberá à ANP e aos demais órgãos envolvidos avaliar, caso a caso, se algum dos blocos poderá ser indicado para oferta, seguindo o rito regulatório aplicável. A Tribuna RN seguirá acompanhando os desdobramentos, incluindo manifestações de autoridades potiguares, do setor produtivo e de entidades ambientais sobre o alcance da medida para a economia e o litoral do estado.
Tópicos Relacionados:
Contexto Tribuna RN
Acompanhamento da nossa redação em Natal • Natal & Grande Natal: esta cobertura integra o giro permanente do portal pelo Rio Grande do Norte, com atualização contínua dos fatos que impactam a região. Ver mais notícias da região →
Compartilhe esta notícia
Espalhe informação de qualidade pelo Rio Grande do Norte
Compromisso Editorial • Tribuna RN:
O Tribuna RN preza pela apuração precisa, imparcialidade e respeito aos cidadãos potiguares. Nossas reportagens seguem rigorosos critérios éticos e jornalísticos. Sugestões e esclarecimentos podem ser encaminhados diretamente aos canais de contato da nossa redação.
Leia também

economia
Varejo potiguar supera média nacional e acumula alta de 3% até agosto

economia
Festa do Boi 2026 bate recorde e deve girar R$ 100 milhões em Parnamirim

cotidiano
Natal marca volta às aulas de 2027 para 17 de fevereiro na rede municipal

cotidiano
