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Pecuária potiguar fatura R$ 2,18 bi e cresce 17,5% com leite, ovos e camarão

Levantamento do IBGE mostra que a produção animal no RN atingiu R$ 2,18 bilhões em 2025, com avanço de 17,52% puxado por leite, ovos e camarão.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 30 de setembro de 2026 às 18:58 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

Pecuária potiguar fatura R$ 2,18 bi e cresce 17,5% com leite, ovos e camarão
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Novo Notícias

NATAL/RN — O campo potiguar fechou 2025 com resultado histórico. A produção de origem animal somou R$ 2,18 bilhões no Rio Grande do Norte, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal, divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira, dia 30. O montante representa crescimento nominal de 17,52% na comparação com os R$ 1,85 bilhão registrados em 2024, de acordo com o levantamento repercutido pelo portal Novo Notícias.

O desempenho coloca a agropecuária como um dos motores da economia interiorana, com reflexos diretos na Grande Natal, no Seridó, no Vale do Açu e nas regiões produtoras do litoral. O leite segue como base do valor total, enquanto os ovos ganharam participação com alta expressiva e o camarão cultivado confirmou o RN entre as potências nacionais da aquicultura.

Leite lidera e interior sustenta o resultado

A bacia leiteira continua sendo o sustentáculo da produção animal potiguar. Municípios do Seridó, do Agreste e do Oeste concentram milhares de pequenos e médios produtores que abastecem laticínios, queijarias e o mercado da Grande Natal todos os dias.

Segundo o IBGE, o conjunto formado por leite e derivados responde pela maior fatia do valor apurado na Pesquisa da Pecuária Municipal. O avanço de 2025 reflete a combinação de preço mais firme, recuperação de pastagens após um período de chuvas mais regular e investimentos em genética, ordenha e refrigeração nas propriedades.

Para o leitor potiguar, o dado aparece na prática:

  • Mesa e bolso: leite, queijo coalho, manteiga da terra e iogurtes seguem com oferta local forte em feiras e supermercados de Natal, Mossoró e Caicó.
  • Emprego no interior: a cadeia do leite mantém ocupações em fazendas, transportes, laticínios e comércio em cidades como Caicó, Currais Novos, Apodi e Pau dos Ferros.
  • Resistência à seca: mesmo com a irregularidade histórica das chuvas no semiárido, o setor ampliou o valor produzido, sinal de profissionalização.

Ovos em alta e camarão puxa aquicultura no litoral

Dois produtos ajudaram a turbinar o salto de 17,52%. O primeiro é o ovo, que viveu ciclo de preços elevados no país e estimulou granjas no Agreste e na Grande Natal a ampliar a produção. O segundo é o camarão cultivado, carro-chefe da aquicultura no litoral potiguar.

De acordo com o material que acompanha o levantamento, somente a produção de camarão movimentou cerca de R$ 782,87 milhões no RN em 2025. O número reforça a força de municípios do Vale do Açu, da Costa Branca e do Litoral Norte, onde fazendas de carcinicultura geram divisas, empregos e exportações a partir de Natal e de Mossoró para o exterior.

O cenário local ajuda a entender:

  • Litoral Sul e Norte: viveiros em Tibau do Sul, Canguaretama, Macau, Pendências e Porto do Mangue sustentam uma cadeia que vai da larvicultura ao beneficiamento.
  • Vale do Açu: Assú, Ipanguaçu e Carnaubais combinam fruticultura irrigada com pescados e camarão, diversificando a renda.
  • Grande Natal: o consumo na capital e em Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Macaíba absorve boa parte da produção e reduz a dependência de produtos de fora.

O que o número revela para a economia do RN

O salto de R$ 1,85 bilhão para R$ 2,18 bilhões em um ano não é apenas estatística. Em termos nominais, são R$ 330 milhões a mais circulando em rações, medicamentos veterinários, fretes pela BR-101 e pela BR-304, assistência técnica e comércio nas cidades do interior.

Especialistas ouvidos habitualmente nesse tipo de levantamento apontam que a Pesquisa da Pecuária Municipal serve de termômetro para políticas públicas: crédito rural, defesa sanitária, estradas vicinais e programas de convivência com o semiárido. Quando o valor cresce dois dígitos, cresce também a arrecadação indireta e a capacidade de investimento das prefeituras do interior.

Até a publicação desta matéria, o IBGE havia divulgado os totais gerais e os destaques de leite, ovos e camarão. O detalhamento por município, com o ranking das maiores produtoras do estado, costuma ser liberado na sequência da pesquisa e deve permitir uma leitura mais fina por região — do Alto Oeste ao Mato Grande.

Conclusão

O recorde de R$ 2,18 bilhões confirma o peso do campo na reconstrução da economia potiguar. Com o leite dando estabilidade, os ovos aproveitando o bom momento de preços e o camarão mantendo o RN na vitrine nacional, o estado entra em 2026 com uma base produtiva mais diversificada e interiorizada.

Novos dados municipais do IBGE devem detalhar quais cidades mais avançaram e onde estão os gargalos de infraestrutura, água e crédito. A expectativa no setor é que, mantido o ritmo de profissionalização no Seridó, no Oeste e no Vale do Açu, a pecuária siga como alavanca de emprego e renda longe da orla — e cada vez mais perto da mesa do potiguar.

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