RN recebe quase 44 mil turistas de fora e vira destaque no Nordeste
Fluxo internacional no estado mais que dobrou de janeiro a julho de 2026, com alta de 129,1% e 43.959 visitantes, segundo dados da Embratur reunidos pelo Etene.
Por Tribuna RN
Publicado em 01 de outubro de 2026 às 01:20 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Tribuna do Norte)

NATAL/RN — O Rio Grande do Norte vive um momento raro no turismo internacional. De janeiro a julho deste ano, o estado recebeu 43.959 visitantes estrangeiros, mais que o dobro dos 19.181 registrados no mesmo intervalo de 2025. O salto de 129,1% coloca o território potiguar com o segundo maior crescimento percentual entre todos os estados nordestinos, de acordo com levantamento da Embratur repassado pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste, o Etene, ligado ao Banco do Nordeste.
O desempenho ganha ainda mais relevo porque acontece num período em que a média nacional recuou. Enquanto o país registrou queda de 1,3% na entrada de estrangeiros pelos principais pontos de acesso, o Nordeste avançou 38% e somou 351,9 mil passageiros internacionais no mesmo recorte, segundo os mesmos dados.
Onde o RN está no mapa do Nordeste
No ranking regional por volume total, o estado ocupa a quarta posição, atrás de Bahia, Pernambuco e Ceará. A Bahia lidera com 123.523 turistas de fora do país, seguida por Pernambuco, com 93.001, e pelo Ceará, com 69.563. O Maranhão teve a maior variação percentual, de 353,9%, mas partiu de uma base mínima: saiu de 28 para apenas 127 visitantes no período.
Os números mostram que o RN combina duas frentes: cresce depressa e já opera num patamar relevante de visitantes. Para a Secretaria de Turismo do estado, ouvida pela reportagem de origem, o resultado reflete investimentos em três frentes principais:
- Promoção do destino em mercados estratégicos no exterior;
- Ampliação da conectividade aérea, com destaque para os voos diretos entre Buenos Aires e Natal;
- Diversificação dos emissores, com chegada de argentinos, noruegueses e outros europeus.
Ainda segundo a pasta, o movimento abre espaço para distribuir o fluxo para além do eixo Natal–Pipa, alcançando refúgios como São Miguel do Gostoso, Galinhos e o Geoparque Seridó, no interior potiguar.
O que muda na prática para Natal e o litoral
Na capital, o reflexo aparece na rede de serviços. O secretário municipal de Turismo, Sanclair Solon, avalia que o avanço beneficia hotéis, bares, restaurantes, agências receptivas, transporte, comércio e passeios. Ele cita obras e equipamentos que reforçam a recepção ao visitante, como a engorda da praia de Ponta Negra e o novo Mirante do Mar, na Avenida Getúlio Vargas, além da valorização do patrimônio histórico e cultural da cidade.
O setor hoteleiro confirma a percepção. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no RN, Edmar Gadelha, destaca que o estrangeiro costuma ter estada mais longa que a média nacional e bom poder de compra, o que eleva a ocupação ao longo do ano. Já o coordenador da Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio, George Costa, ressalta que esse público costuma explorar destinos fora da capital, levando renda para outras regiões do estado.
Na beira-mar, o efeito é sentido no dia a dia. Uma agente de passeios que atua em Ponta Negra relatou aumento recente na procura por roteiros por parte de noruegueses e argentinos, público que tradicionalmente preferia curtir hotéis e pousadas. Um quiosqueiro da orla conta que os argentinos formam a maioria entre os gringos e chegam dispostos a consumir. Um casal argentino ouvido na praia, em primeira visita ao RN, resumiu o encanto e disse pensar em voltar, apesar da distância.
Crédito acompanha a onda do turismo
O aquecimento também se reflete na busca por financiamento. Entre janeiro e julho, o Banco do Nordeste assinou 95 contratos voltados ao trade turístico potiguar, somando R$ 52,4 milhões, concentrados sobretudo em hospedagem e alimentação, conforme os dados do Etene. Quando se contam turistas, viajantes a trabalho e participantes de convenções e eventos, o Nordeste recebeu mais de 588 mil passageiros de voos internacionais no período, alta de 26,6% sobre 2025, com cerca de 1,2 milhão de embarques e desembarques somados.
Para a pesquisadora do Etene, Laura Lúcia, os indicadores apontam um ciclo favorável, sustentado por infraestrutura, divulgação dos destinos e malha aérea. A avaliação é que o momento favorece geração de emprego e renda em toda a cadeia, do receptivo ao pequeno comércio das praias.
Conclusão
O salto do turismo estrangeiro coloca o Rio Grande do Norte numa vitrine que o estado há anos tenta consolidar. O desafio agora, segundo gestores e empresários ouvidos na apuração original, é transformar o pico de chegadas em desenvolvimento duradouro: manter a promoção lá fora, ampliar rotas aéreas, qualificar serviços e distribuir os visitantes pelo litoral e pelo interior. Se essa agenda avançar, o fluxo de gringos pode deixar de ser um pico sazonal e virar um motor permanente da economia potiguar. Novos balanços da Embratur e do Etene devem mostrar nos próximos meses se a curva segue em alta até o fim do ano.
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