Saídas na reta final mudam disputa pelo governo e votos seguem valendo no RN
TRE-RN confirma que nomes seguem na urna no domingo e votos serão contados para os próprios candidatos, sem transferência automática para apoiados.
Por Tribuna RN
Publicado em 01 de outubro de 2026 às 20:36 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (G1 RN)

NATAL/RN — A disputa pelo Governo do Estado ganhou um capítulo decisivo a três dias do primeiro turno: dois postulantes deixaram a corrida, mas a identificação deles continua disponível no equipamento eletrônico na votação deste domingo (4). Segundo o Tribunal Regional Eleitoral potiguar, nenhuma renúncia formal foi registrada, por isso eventuais escolhas nesses números permanecem computadas para os próprios donos dos registros.
O cenário mexe com a reta final da campanha no Rio Grande do Norte porque envolve apoios cruzados já declarados a dois dos nomes mais competitivos da disputa. De um lado, a saída do professor universitário do PSOL, seguida de alinhamento ao candidato do PT. Do outro, a retirada do postulante do AGIR, que passou a defender o nome do PL. Até a publicação desta matéria, nenhum desses gestos políticos altera a contagem oficial dos votos.
Como ficam os votos na urna no domingo
A orientação do TRE-RN é direta: sem ato formal de renúncia perante a Justiça Eleitoral, nada muda na tela da urna. Confira os pontos centrais explicados pelo órgão:
- Identificação mantida: ao digitar os números dos dois candidatos que deixaram a disputa, o eleitor encontra foto, nome e legenda normalmente na tela.
- Sem aviso adicional: nenhum alerta informa que houve afastamento da campanha ou indicação de outro nome.
- Sem troca possível: o calendário eleitoral já encerrou a janela para substituições, então as duas candidaturas seguem expostas à votação.
- Sem migração de votos: escolher um dos dois registros não transfere o voto ao apoiado por ele; o sufrágio pertence ao número digitado.
- Validade garantida: os votos dados a esses registros são considerados válidos na apuração, de acordo com o tribunal.
Na prática, quem deseja apoiar Cadu de Lula (PT) ou Álvaro Dias (PL) precisa digitar diretamente o número do preferido, em vez de votar nos nomes que saíram de cena esperando uma conversão automática que não existe.
O que motivou as duas saídas na reta final
Os dois afastamentos têm origens diferentes e aconteceram em momentos distintos da última semana de campanha, segundo o apurado pelos veículos que acompanham a sucessão estadual.
- Candidatura do PSOL retirada pelo partido: o diretório estadual decidiu na quarta-feira (30) encerrar a postulação do professor Robério Paulino. Nesta quinta-feira (1º), a legenda anunciou alinhamento à chapa petista em entrevista coletiva. Na justificativa apresentada pela direção, pesou a avaliação do quadro sucessório e a intenção de somar esforços com projetos classificados pelo partido como do campo democrático e progressista.
- Desistência no campo da direita: no sábado (26), Rodrigo de Bolsonaro comunicou que não prosseguiria concorrendo pelo AGIR e passou a defender o nome de Álvaro Dias (PL) para o Executivo estadual. Ao justificar a decisão, afirmou enxergar no ex-prefeito de Natal a principal alternativa do seu espectro político e defendeu a união de forças contra a esquerda no Estado.
- Efeito jurídico zero dos apoios: conforme o TRE-RN, as declarações de apoio têm natureza puramente política. Elas não produzem consequência sobre a urna, a totalização ou a destinação dos votos.
O episódio concentra atenções porque ocorre quando mais de 2,6 milhões de potiguares se preparam para votar em Natal, Mossoró, Caicó, Assú, Pau dos Ferros e nos demais municípios, do Litoral Sul ao Alto Oeste.
O que acontece agora
A campanha entra nas últimas 72 horas com o tabuleiro reorganizado no discurso, mas inalterado na urna. A expectativa é que as coordenações reforcem nas redes e nas ruas a orientação sobre o voto útil, já que parte do eleitorado pode chegar à seção desinformada sobre as mudanças. Novos esclarecimentos devem ser divulgados pelos órgãos eleitorais até o fim de semana, e a apuração do domingo mostrará se as movimentações de bastidor se converteram em migração real de eleitores ou apenas em barulho de reta final.
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