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Rússia ameaça usar 'todo arsenal' nuclear se Otan isolar Kaliningrado

Documento informal visto pela Reuters afirma que Moscou usaria todo o arsenal, incluindo armas nucleares, para defender o exclave entre Polônia e Lituânia. Otan pede calma.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 30 de setembro de 2026 às 18:05 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (g1)

Rússia ameaça usar 'todo arsenal' nuclear se Otan isolar Kaliningrado
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / g1

MOSCOU/RÚSSIA — A Rússia avisou à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que estaria pronta para usar armas nucleares caso a aliança militar tentasse isolar Kaliningrado, exclave russo às margens do Mar Báltico. A advertência consta de um documento informal enviado a Bruxelas e visto pela agência Reuters, na terça-feira (30).

O aviso marca uma nova escalada na tensão entre Moscou e os governos europeus. Do outro lado, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, respondeu que a aliança é defensiva e que nenhum exercício representa risco para o território russo.

O que diz o documento

O texto enviado pela Rússia é classificado como um "non-paper" — termo da diplomacia para comunicações informais, sem caráter oficial. Segundo a Reuters, Moscou acusa a aliança de seguir um "caminho perigoso e imprudente", que elevaria os "riscos de eclodir um conflito armado direto".

"A Rússia estará pronta para utilizar todo o arsenal de forças e recursos à sua disposição, incluindo armas nucleares, a fim de defender seu território caso os países da Otan empreendam qualquer tentativa destinada a isolar a região de Kaliningrado do restante do país", afirma o documento.

No cenário descrito por Moscou, o governo de Vladimir Putin poderia ainda recorrer a ataques contra "centros de tomada de decisão" dos países-membros da aliança logo no início de um eventual conflito, segundo o texto citado pela agência.

A resposta da Otan

Em resposta à carta, o secretário-geral Mark Rutte pediu seriedade e serenidade. Segundo ele, a melhor forma de lidar com o momento é "manter um pouco de calma", do lado da Otan, enquanto a aliança segue com suas atividades regulares.

"Ressaltamos que a Otan é uma aliança defensiva e que nenhuma de nossas atividades ou exercícios representa risco para qualquer parte da Rússia. Condenamos veementemente a ameaça de uso da força, incluindo qualquer retórica nuclear irresponsável", afirmou a porta-voz da organização, Allison Hart, confirmando o recebimento do documento.

Por que Kaliningrado pesa tanto

O exclave é o ponto mais sensível do atrito entre Moscou e a aliança. Isolado do restante da Rússia, o território tem características que explicam a preocupação dos dois lados:

  • Fica entre a Polônia e a Lituânia, ambos países-membros da Otan;
  • Dá à Rússia acesso direto ao Mar Báltico;
  • É fortemente militarizado, segundo apontam análises da própria Reuters.

Nos últimos três dias, embaixadas russas em pelo menos três países europeus acusaram a aliança de aumentar as tensões com exercícios militares e planejamento de cenários envolvendo a região. Os comunicados afirmam que a Rússia não pretende atacar países da Otan, mas avisam que qualquer agressão contra Kaliningrado teria a resposta "mais enérgica possível".

O que acontece agora

O episódio ocorre no auge de um atrito mais amplo entre a Rússia e os governos europeus. Governos do continente acusam Moscou de intensificar uma "guerra híbrida", com ações como sabotagens e incêndios criminosos — acusações que o Kremlin rejeita, assim como a tese de que estaria se preparando para atacar um país da aliança.

Pelo lado da Otan, o tom é de contenção: seguir com os exercícios programados, evitar reação exacerbada e cobrar o fim das ameaças nucleares. Pelo lado russo, o documento informal serve de aviso de que, para Moscou, qualquer cerco a Kaliningrado cruzaria uma linha vermelha. Em jogo, como aponta a Reuters, está a confiança de que pequenas crises não se transformem em um conflito direto na Europa.

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Fonte da Informação Veículo de origem: g1 (via RSS)

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