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Peixes mortos no Potengi param pesca no Guarapes e órgãos apuram causas

Pescadores do Guarapes protestaram nesta sexta após a mortandade nos rios Potengi e Jundiaí. Idema e Igarn investigam o caso, com laudo em até 20 dias, e a categoria segue parada.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 02 de outubro de 2026 às 18:18 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (G1 RN)

Peixes mortos no Potengi param pesca no Guarapes e órgãos apuram causas
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / G1 RN

NATAL/RN — Pescadores do bairro Guarapes, na Zona Oeste de Natal, fizeram um protesto na manhã desta sexta-feira (2) para cobrar respostas sobre a mortandade de peixes registrada nos rios Potengi e Jundiaí, entre Natal e a Região Metropolitana. Segundo a categoria, as canoas estão paradas e dezenas de famílias que vivem da pesca estão sem renda desde que os primeiros animais apareceram boiando.

De acordo com os relatos colhidos no local, peixes de várias espécies, além de sururus e siris, surgiram mortos ou agonizando nas margens entre a noite de quarta-feira (30) e a madrugada de quinta (1º). A quantidade total não foi estimada, e o mau cheiro tomou conta de trechos próximos ao Guarapes. A movimentação da maré ainda teria espalhado os animais mortos para outras localidades do estuário.

Protesto e prejuízo para quem vive do rio

Quem depende do Potengi descreve um cenário de paralisação total. As canoas que deveriam estar na água amanheceram encalhadas, e pescadores relatam cenas fortes: cardumes inteiros boiando, siris saindo da água e peixes saltando em busca de oxigênio.

  • Comunidade atingida: pescadores do Km 6, no Guarapes, até Macaíba relatam prejuízo. Muitos afirmam que toda a cadeia local — do pescador ao pequeno comerciante — sente o baque.
  • Memória de 2007: a pescadora Marlúcia Arthur, há 40 anos na atividade, teme a repetição do episódio de quase 20 anos atrás, quando cerca de 40 toneladas de animais marinhos morreram nos dois rios e a pesca ficou comprometida por mais de seis meses.
  • Relatos do dia seguinte: o pescador Leandro Arthur Pinheiro contou que encontrou o trecho tomado por peixes e siris mortos ao chegar para colocar a canoa na água na quinta-feira. Já Manoel Fernandes descreveu os animais saindo da água e morrendo na margem.
  • Reivindicação central: identificação da causa, responsabilização de quem tenha provocado o dano e apoio às famílias enquanto a pesca estiver inviável.

Segundo o pescador Robério Nascimento, toda a comunidade pesqueira do trecho está prejudicada e cobra que alguém assuma a responsabilidade, já que muita gente tira do rio o sustento da família.

Os pescadores levantam a suspeita de uma possível contaminação, mas nenhuma autoridade ambiental confirmou essa hipótese até a publicação desta matéria.

O que dizem Idema e Igarn

A apuração oficial está dividida entre dois órgãos estaduais. O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema) informou que equipes de fiscalização estiveram no local, confirmaram a mortandade e abriram investigação — mas, até esta sexta, ainda não havia elementos suficientes para apontar as causas.

O Instituto de Gestão de Águas do Rio Grande do Norte (Igarn) informou que coletou amostras da água e dos peixes mortos no trecho afetado. Os resultados das análises laboratoriais devem ficar prontos em até 20 dias e são considerados a peça-chave para dizer se houve contaminação química, despejo irregular, queda de oxigênio na água ou uma combinação de fatores.

  • O que já foi feito: fiscalização em campo pelo Idema e coleta de água e de exemplares mortos pelo Igarn.
  • O que falta: o laudo com a causa provável, esperado em até 20 dias contados da coleta.
  • Ponto de atenção: em 2007, a suspeita recaiu sobre despejo de resíduos químicos e metais pesados — hipótese que só poderá ser confrontada com os novos exames.

Conclusão

Enquanto o laudo não sai, a orientação é que a população evite consumir peixes e mariscos recolhidos mortos no trecho afetado e acompanhe os comunicados oficiais dos órgãos ambientais. Para as famílias do Guarapes e do entorno do Potengi, a expectativa é de que a investigação avance rápido e aponte, além da causa, as medidas de reparação.

A mortandade atinge em cheio uma das áreas pesqueiras mais tradicionais da Grande Natal, onde o rio é fonte de alimento, renda e identidade. Novos detalhes devem ser divulgados pelo Idema e pelo Igarn nos próximos dias, incluindo o cronograma das análises e eventuais interdições preventivas da pesca no estuário.

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