Aos 69 anos, pai doa rim ao filho e mostra que idade não barra doação em vida
História de Arivaldo, de 69 anos, que doou um rim ao filho em 2023, reforça o alerta do Setembro Verde sobre a doação em vida após os 60 e mobiliza famílias no RN.
Por Tribuna RN
Publicado em 27 de setembro de 2026 às 22:55 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

NATAL/RN — Aos 69 anos, o aposentado Arivaldo Sampaio tomou uma decisão que mudou a rotina da própria família: doar um dos rins para o filho, que havia perdido a função renal e dependia de hemodiálise para sobreviver. Segundo o Novo Notícias, o procedimento foi realizado em 2023, depois de uma bateria completa de exames que atestou boas condições clínicas do doador. A idade, isoladamente, não foi considerada um impedimento pela equipe médica responsável pela avaliação.
O caso ganhou nova repercussão neste domingo (27) como símbolo da campanha Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos no Brasil. A mensagem central é direta e interessa de perto às famílias potiguares: pessoas com mais de 60 anos também podem se tornar doadoras em vida, desde que aprovadas em avaliação médica rigorosa.
História que inspira famílias potiguares
Arivaldo convivia com o drama enfrentado por milhares de lares brasileiros: ver um filho preso a sessões de hemodiálise, com limitações para trabalhar, viajar e manter uma rotina normal. De acordo com o relato divulgado pela imprensa, ele se apresentou como candidato à doação e passou por consultas, exames laboratoriais, avaliações cardiológicas e acompanhamento psicológico antes da liberação.
Para quem acompanha a pauta da saúde na Grande Natal, no Oeste e no Seridó, o exemplo ajuda a quebrar um mito comum: o de que idosos estariam automaticamente descartados como doadores. Na prática, segundo o Ministério da Saúde, o que define a aptidão é o estado geral de saúde, e não apenas o número da identidade. Hipertensão descontrolada, diabetes sem controle, doença renal ou cardíaca grave e outros quadros podem contraindicar o ato, mas o envelhecimento saudável, por si só, não exclui ninguém.
- Quem foi o doador: Arivaldo Sampaio, de 69 anos, pai do paciente;
- O que foi doado: um dos rins, em cirurgia realizada em 2023;
- Por que a doação foi necessária: o filho havia perdido a função do rim e fazia hemodiálise;
- O que liberou o procedimento: bateria de exames e avaliação multidisciplinar, segundo o relato original.
Quem pode doar em vida e como funciona a avaliação
A doação em vida no Brasil segue regras claras e fiscalização do Sistema Nacional de Transplantes. De acordo com o Ministério da Saúde, qualquer pessoa saudável pode doar um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão ou medula óssea, respeitados os limites técnicos e a compatibilidade com o receptor. No caso de doador vivo não aparentado, há exigência de autorização judicial.
O caminho até o centro cirúrgico passa por etapas que protegem os dois lados:
- Avaliação clínica completa: exames de sangue, urina, imagem, coração e função renal;
- Compatibilidade: tipagem sanguínea e provas imunológicas entre doador e receptor;
- Acompanhamento psicológico e social: garantia de decisão voluntária, sem pressão ou troca financeira;
- Acompanhamento após a cirurgia: o doador segue monitorado e pode levar vida normal com um único rim, com hidratação, controle de pressão e consultas regulares.
No Rio Grande do Norte, pacientes que precisam de transplante são acompanhados pela rede pública e pela Central Estadual de Transplantes, com hospitais de referência em Natal. Famílias do interior, de Mossoró a Caicó, de Assú a Pau dos Ferros, costumam se deslocar para a capital para exames e para o procedimento, o que reforça a importância do apoio familiar e da informação antecipada.
O que acontece agora
A campanha Setembro Verde segue até o fim do mês com ações de conscientização em unidades de saúde, escolas e empresas. A orientação para quem se identifica com a história de Arivaldo é procurar informação em fonte oficial antes de tomar qualquer decisão.
- Converse em família: a doação de órgãos, em vida ou após a morte, é uma decisão que envolve todos;
- Busque avaliação no SUS: procure a unidade básica de saúde em Natal ou no seu município e peça encaminhamento para nefrologia;
- Informe-se pelos canais oficiais: Ministério da Saúde, Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN e Central de Transplantes;
- Apoie quem está na fila: campanhas de sangue e de cadastro de medula também salvam vidas no estado.
Até a publicação desta matéria, não havia informação sobre complicações no caso relatado, apenas o registro de aptidão e realização do transplante em 2023. Novos detalhes sobre ações do Setembro Verde no RN devem ser divulgados pelos órgãos de saúde ao longo da semana. A lição que fica para o leitor potiguar é simples: idade avançada com saúde preservada não encerra a possibilidade de salvar uma vida.
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