Solução nascida na UFRN reduz barulho de torre eólica dentro de casa no RN
Criada no Metrópole Parque, a potiguar Jupitera venceu concurso nacional com dispositivo que atua no quarto de quem vive perto de parque eólico e prepara patente com a UFRN.
Por Tribuna RN
Publicado em 03 de outubro de 2026 às 11:55 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

NATAL/RN — Uma empresa criada há poucos meses dentro do Parque Tecnológico Metrópole Digital, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte, conquistou o primeiro lugar em uma disputa nacional de inovação com um equipamento pensado para diminuir o incômodo do barulho das torres eólicas dentro das residências. A potiguar Jupitera desenvolve o PER, sigla para Perturbador de Envelope Rítmico, aparelho eletrônico que trata o som em tempo real no próprio ambiente onde a pessoa dorme.
A proposta interessa diretamente ao Rio Grande do Norte, um dos maiores polos de geração eólica do país, com parques espalhados pelo interior, pelo Mato Grande e por trechos do Litoral Norte. Nessas áreas, moradores relatam dificuldade para dormir por causa do pulso repetitivo das pás durante a madrugada. É exatamente sobre essa parcela rítmica do ruído que a tecnologia potiguar pretende agir.
Prêmio nacional entre mais de cem concorrentes
Segundo as informações divulgadas sobre a disputa, o Concurso Ideias Inovadoras recebeu 101 inscrições de 11 estados e terminou com apresentação final em Salvador no dia 30 de setembro. A iniciativa é conduzida pela incubadora Desavexe, vinculada ao Centro de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação e ao Hub Salvador.
A caminhada da Jupitera até o topo incluiu:
- Primeira fase: nota de 92 pontos em uma escala de 100, bem acima da linha de corte de 70, com vaga entre os 20 projetos classificados.
- Etapa final: lugar entre os dez finalistas convidados para o pitch presencial, conhecido como Demoday.
- Resultado: primeira colocação, com prêmio de 10 mil reais, em uma premiação total de 15 mil reais distribuída entre os três primeiros.
- Origem acadêmica: pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Gestão, Inovação e Sustentabilidade da UFRN, que deu base científica ao dispositivo.
"Foi uma experiência incrível, entre mais de 100 startups, após várias etapas, ser contemplado com o primeiro lugar. Isso chancela muito o caminho que a gente vem seguindo", afirmou Felipe Neves, pesquisador e fundador da Jupitera, segundo a divulgação do resultado.
A empresa, aberta em abril, também foi selecionada para o Programa Capital Empreendedor, do Sebrae, voltado a negócios com potencial de crescimento.
Como funciona o aparelho pensado para o quarto
Diferentemente de soluções que mexem na turbina, o equipamento da startup potiguar foi desenhado para ficar no cômodo onde o som incomoda, sobretudo nos quartos de casas vizinhas aos complexos de geração. O foco é a chamada modulação de amplitude, o componente pulsante ligado ao giro das pás.
Na prática, o sistema usa processamento digital de sinais para identificar a repetição rítmica e atenuar a sensação de incômodo durante o sono. O protótipo atual passa por simulações e testes de bancada em laboratório. Concluída essa fase, a previsão da equipe é iniciar ensaios com pessoas em ambiente real.
O cronograma divulgado aponta que a primeira unidade funcional deve ficar pronta em cerca de nove meses. Paralelamente, a Jupitera prepara um pedido de patente em cotitularidade com a UFRN, formato que mantém a universidade associada à criação enquanto a empresa transforma o estudo em produto comercial.
Do laboratório de Natal para vitrine na Alemanha
O calendário internacional já marca o próximo passo. Entre os dias 7 e 9 de outubro, o projeto será apresentado na Alemanha durante o Halle-Symposium Social Science in the Energy System Transformation, encontro que reúne pesquisadores de vários países para discutir os efeitos sociais da mudança nos sistemas de energia.
Para o ecossistema de inovação da Grande Natal, a agenda reforça o papel do Metrópole Parque como berço de negócios de base tecnológica. A região concentra estudantes, docentes e programadores que têm convertido pesquisas da universidade em empresas, com atenção especial para energia, saúde e tecnologia da informação.
No caso da energia dos ventos, o desafio vai além da engenharia. A expansão acelerada dos parques reacendeu o debate sobre a convivência entre torres, comunidades rurais e atividades como agricultura, pesca e turismo no interior potiguar. Tecnologias que reduzem o impacto sonoro podem ajudar a equilibrar geração limpa, renda local e qualidade de vida.
Conclusão
A Jupitera agora entra na fase decisiva de tirar o dispositivo da bancada e provar o desempenho em residências próximas às torres. Se os testes com voluntários confirmarem a redução do incômodo noturno, o caminho inclui concluir a patente com a UFRN, buscar parceiros industriais e definir o modelo de venda e instalação.
Até a publicação desta matéria, o aparelho seguia em estágio de protótipo, sem comercialização anunciada. Novos detalhes sobre prazos, preços e testes de campo devem ser divulgados pela empresa e pela universidade ao longo dos próximos meses.
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