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Cuscuz com salmonela causou surto em presídios de Mossoró, aponta laudo

Laudo da Polícia Científica e do Lacen-RN indica contaminação no cuscuz servido em três unidades de Mossoró, onde cerca de 500 internos passaram mal em junho.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 30 de setembro de 2026 às 15:14 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (G1 RN)

Cuscuz com salmonela causou surto em presídios de Mossoró, aponta laudo
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / G1 RN

MOSSORÓ/RN — Um laudo técnico concluído no Rio Grande do Norte atribuiu a um lote de cuscuz contaminado o episódio de intoxicação que atingiu cerca de 500 internos de três estabelecimentos prisionais de Mossoró, na região Oeste, em junho deste ano. Segundo o apurado, os exames detectaram salmonela e resquícios de Escherichia coli na refeição distribuída nas unidades, quadro compatível com os sintomas gastrointestinais relatados pelos detentos.

De acordo com as informações divulgadas, o documento foi elaborado pela Polícia Científica em conjunto com o Laboratório Central de Saúde Pública do RN e teve o conteúdo revelado nesta quarta-feira (30). O material analisado havia sido recolhido pela Vigilância Sanitária do município, com amostras de cuscuz, arroz, feijão e salsicha servidos na Cadeia Pública e nas alas masculina e feminina do Complexo Mário Negócio.

O que o laudo revelou sobre as refeições

A perícia sustenta que a origem mais provável da contaminação está nas etapas anteriores à entrega nas prisões, já que as marmitas chegavam prontas e não havia manipulação culinária relevante dentro das unidades. Ainda segundo o apurado, os alimentos não passavam por preparo interno, apenas por recebimento e distribuição aos internos.

Os principais pontos destacados pelo documento, conforme o divulgado, foram:

  • Cuscuz como foco central: o item apresentou salmonela e traços de Escherichia coli, combinação associada a diarreia, vômitos, febre, dor abdominal e mal-estar.
  • Arroz com vestígio complementar: o cereal também exibiu Escherichia coli, mas sem o perfil capaz de explicar sozinho os sintomas; o achado foi tratado como indício adicional de falha higiênica.
  • Correlação clínica: o conjunto de sintomas coletivos, somado ao cardápio comum e aos patógenos identificados, foi classificado como surto de doença transmitida por alimento.
  • Exclusão de manipulação interna: as vistorias não localizaram estrutura de cozinha nas unidades para produzir milhares de refeições, o que deslocou o foco para produção, acondicionamento, armazenamento e transporte externos.

O responsável técnico citado na apuração explicou que a equipe ouviu profissionais e internos para mapear sintomas e histórico alimentar. Como nenhum servidor que não consumia a mesma refeição adoeceu, a hipótese de contaminação externa ganhou força. As três unidades somam aproximadamente 1,5 mil custodiados, ou seja, cerca de um terço da população carcerária local apresentou mal-estar. Em Mossoró, o sistema prisional movimenta por dia algo em torno de 4,5 mil refeições, o que ampliou a preocupação sanitária na época.

Respostas da empresa fornecedora e da Seap

A empresa apontada como fornecedora das marmitas contestou o procedimento de coleta. Segundo a versão apresentada por ela, a amostra teria sido retirada sem o acondicionamento térmico adequado e percorrido mais de 250 quilômetros até o laboratório em Natal, com perda de temperatura no trajeto. A firma também levantou a possibilidade de contaminação posterior, no ambiente de distribuição dentro das unidades.

Já a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária informou que adotou providências desde o registro do episódio. De acordo com a pasta, foi aberto procedimento administrativo para apurar eventual descumprimento contratual, com garantia de contraditório, além de notificações à contratada e fiscalização contínua do serviço, que conta com nutricionistas e responsável técnico. Na ocasião, os atendimentos ocorreram em unidade básica de saúde instalada no próprio complexo, com reforço de equipes da Secretaria Municipal de Saúde de Mossoró diante do volume de pacientes.

O que acontece agora

O caso segue sob apuração administrativa, que vai definir se houve falha contratual ou sanitária e quais sanções podem ser aplicadas, sempre com direito de defesa. Até a publicação desta matéria, a orientação das autoridades sanitárias é que o fornecimento mantenha controle rigoroso de temperatura, higiene e rastreabilidade, enquanto novos detalhes técnicos devem ser divulgados pelos órgãos responsáveis.

Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.

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Fonte da Informação Veículo de origem: G1 RN (via RSS)
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