Ato político termina em violência na UFRN e universidade promete medidas judiciais
Mobilização não autorizada no Campus Central, em Natal, teve brigas, danos ao patrimônio e aulas interrompidas nesta segunda-feira (19); UFRN abriu apuração e promete acionar a Justiça.
Por Tribuna RN
Publicado em 20 de outubro de 2026 às 12:15 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

NATAL/RN — A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) anunciou nesta terça-feira (20) que vai adotar medidas administrativas e judiciais depois que um ato político não autorizado terminou em brigas no Campus Central, em Natal, na tarde de segunda-feira (19). Em nota oficial, a instituição informou que a mobilização provocou danos ao patrimônio público, ameaças à comunidade acadêmica e a interrupção de aulas e atividades administrativas.
O ato, convocado nas redes sociais como "UFRN anti-Lula", começou por volta das 16h com carro de som, faixas e um boneco inflável. Estudantes organizaram um contraprotesto, e o encontro dos dois grupos nas imediações do Centro de Tecnologia e do Setor de Aulas IV terminou em confronto. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram empurrões, chutes e agressões físicas de parte a parte, além do portão de acesso aos setores de aulas visivelmente danificado após o tumulto.
Como foi o confronto
- Local: imediações do Centro de Tecnologia e do Setor de Aulas IV, no Campus Central da UFRN, na avenida Senador Salgado Filho;
- Horário: a convocação marcava 16h, e a confusão começou na tarde de segunda-feira (19);
- Presenças: conforme registro divulgado, o deputado federal General Girão (PL) e a vereadora de Natal e deputada estadual eleita Camila Araújo (PL) participaram do ato;
- Danos: portão de acesso aos setores de aulas ficou avariado, e aulas e atividades administrativas foram interrompidas;
- Segurança: a segurança patrimonial da universidade foi acionada para separar os grupos.
O que diz a UFRN
Em nota, a universidade afirma que a mobilização ocorreu "sem autorização institucional", utilizou equipamentos de som e fogos de artifício e foi acompanhada de ameaças à integridade física e moral de integrantes da comunidade acadêmica. A administração universitária manifestou "o mais veemente repúdio aos atos de violência ocorridos em 19 de outubro".
A instituição reforçou que a divergência de ideias, inerente à vida universitária e ao exercício democrático, "não pode, sob qualquer circunstância, servir de justificativa para atos de intimidação, ameaças, violência ou desrespeito". A universidade reafirmou ainda o compromisso com a proteção da comunidade acadêmica e com os princípios democráticos.
Versões divergem
Os relatos sobre quem iniciou a confusão são contraditórios. Um estudante de Jornalismo relatou ter sido agredido durante o tumulto e quebrou um dente, segundo relato divulgado à imprensa. Já um estudante de Engenharia atribuiu o início da briga a quem tentou impedir a manifestação, alegando arremesso de pedras e outros objetos. Uma participante do ato também alegou ter visto uma faca e uma arma de fogo no local.
Essas alegações não foram confirmadas oficialmente pela universidade ou pela Polícia Militar. Até a publicação desta matéria, não havia registro de prisões relacionadas ao episódio.
Justiça Eleitoral foi acionada
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) solicitou apoio da Polícia Militar após denúncias registradas pelo aplicativo Pardal, usado para comunicar possíveis irregularidades eleitorais. A suspeita apontada é de propaganda eleitoral irregular, por causa da realização do ato em instituição pública. Quando as equipes chegaram ao campus, os participantes já haviam se dispersado, segundo informações divulgadas.
O TRE-RN também ressaltou que a liberdade de expressão em universidades é protegida pela autonomia universitária, mas que essa proteção não alcança propaganda eleitoral irregular nem uso indevido de bens públicos.
O que acontece agora
A UFRN informou que as medidas administrativas e judiciais têm como objetivo assegurar a apuração das ocorrências e a responsabilização de quem for identificado nos episódios. O caso segue sem registro oficial de prisões, e novos detalhes devem ser divulgados pela universidade e pela Justiça Eleitoral nos próximos dias.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
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