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Abran alerta para febre de canetas para emagrecer sem receita e cobra reação

Presidente da entidade de nutrologia cita uso fora de prescrição, risco de pancreatite e armazenamento irregular e defende informação correta para a população.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 25 de setembro de 2026 às 00:56 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Tribuna do Norte)

Abran alerta para febre de canetas para emagrecer sem receita e cobra reação
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Tribuna do Norte

NATAL/RN — O uso de medicamentos injetáveis para perda de peso fora de acompanhamento médico virou motivo de alerta nacional. Durante o congresso brasileiro de nutrologia aberto nesta quinta-feira (24) em São Paulo, o presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Durval Ribas Filho, classificou a banalização das chamadas canetas emagrecedoras como um desafio sanitário de grandes proporções, segundo relato da Tribuna do Norte. O recado vale também para o potiguar que encontra o produto em farmácias, redes sociais e até em espaços de estética na Grande Natal e no interior.

De acordo com a cobertura original, o dirigente comparou o cenário a uma epidemia de consumo descontrolado e pediu que médicos e imprensa ajudem a orientar a população. A discussão ocorreu no primeiro dia do XXX Congresso Brasileiro de Nutrologia (CBN 2026), evento promovido pela Abran que reúne mais de 3,5 mil profissionais do Brasil e do exterior, com centenas de trabalhos científicos, mais de 200 palestras e dezenas de simpósios ao longo de três dias.

O que o congresso colocou na mesa

Ainda segundo a Tribuna do Norte, o presidente da Abran descreveu um roteiro que se repete em várias cidades do país: pessoas interessadas em resultado rápido procuram salões, centros de estética e outros espaços não médicos para ter acesso às canetas, em vez de passar por avaliação clínica. Na estimativa citada por ele, cerca de uma em cada oito pessoas estaria utilizando esses produtos sem supervisão adequada.

Os pontos centrais levantados no debate foram reorganizados abaixo:

  • Remédio, não atalho estético: os produtos exigem prescrição e acompanhamento conforme o perfil de cada paciente, e parte deles ainda passa por avaliações técnicas, de acordo com o especialista.
  • Receita fora do consultório: há relatos de indicação feita por profissionais sem habilitação para prescrever, cenário observado em diversos municípios brasileiros.
  • Entrada acelerada no país: o dirigente manifestou preocupação com embalagens fora do padrão e com a quebra da cadeia de frio, já que o armazenamento exige controle de temperatura semelhante ao da insulina.
  • Travessia irregular: produtos que cruzam a fronteira sem seguir norma de conservação perdem qualidade e podem oferecer risco a quem utiliza, conforme o alerta apresentado.

Para a realidade potiguar, o ponto de atenção passa por Natal, Mossoró, Caicó e Parnamirim, onde a oferta de procedimentos estéticos cresceu nos últimos anos. A recomendação dos especialistas é desconfiar de promessa de emagrecimento imediato e buscar atendimento em serviços de saúde, da unidade básica ao consultório com profissional habilitado.

Riscos citados pelos médicos

O aspecto que mais inquietou os debatedores foi o aumento de complicações. Segundo o relato, o presidente da Abran disse observar crescimento expressivo de casos de pancreatite, inflamação que antes aparecia com pouca frequência nesse contexto. Ele ponderou que ainda não existem percentuais consolidados no Brasil, porque o fenômeno é recente, mas avaliou que o volume de usuários exige monitoramento próximo.

Outros alertas mencionados na cobertura:

  • Mortes no exterior: foram citadas 13 ocorrências fatais no Reino Unido associadas ao uso desses medicamentos sem orientação, conforme a fala reproduzida no evento.
  • Informação frágil: um estudo do MIT com cem jovens, mencionado pelo dirigente, indicaria que versões sem base científica circulam com mais força do que o conteúdo técnico — sete em cada dez teriam acolhido a versão incorreta, enquanto a reação à informação científica teria sido inversa.
  • Automedicação por aplicativo: o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa para montar o próprio esquema de doses foi apontado como agravante, prática que amplia erros de indicação, dose e duração.

De acordo com o especialista, reverter esse quadro é tarefa árdua, sobretudo em um país com mais de 200 milhões de habitantes. Ele defendeu educação em saúde, comunicação clara e uma medicina mais próxima do paciente como primeiros passos, caminho que também alcança vizinhos como Argentina, Chile e Paraguai, onde o tema já preocupa autoridades.

E o debate sobre as canetas no SUS

A possível incorporação desses medicamentos à rede pública também entrou na pauta. Segundo a Tribuna do Norte, o presidente da Abran avaliou a ideia como positiva em tese, mas cercada de obstáculos práticos. O exemplo usado foi o da insulina: mesmo com uma parcela menor da população usuária, o fornecimento pelo sistema público enfrenta falhas pontuais.

No caso da obesidade, a conta seria ainda mais pesada. Pelos parâmetros citados no debate, entre 26% e 30% dos brasileiros conviveriam com a condição, algo próximo de 60 milhões de pessoas. Pelo custo atual, a oferta ficaria restrita a grupos bem delimitados, com critérios rigorosos de indicação. Ou seja, mesmo que avance, a incorporação não significaria acesso amplo e imediato.

Conclusão

Até a publicação desta matéria, o consenso apresentado no congresso é que caneta emagrecedora é tratamento médico, não solução de balcão. Para quem vive no Rio Grande do Norte, a orientação é procurar avaliação com profissional de saúde, manter receita e acompanhamento, verificar a procedência do produto e acompanhar os canais oficiais sobre incorporações no SUS. Novos dados sobre segurança e efetividade devem ser apresentados ao longo do evento e nos próximos estudos, e a Tribuna RN seguirá acompanhando os desdobramentos para a rede de saúde potiguar.

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Fonte da Informação Veículo de origem: Tribuna do Norte (via RSS)
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