Operação no Walfredo Gurgel mira venda de exames e atinge vereadora em Parnamirim
Polícia Civil cumpriu 15 mandados na Operação Sine Mora contra suposta cobrança por exames no Walfredo Gurgel; parlamentar de Parnamirim entregou o celular e cinco servidores foram afastados.
Por Tribuna RN
Publicado em 07 de outubro de 2026 às 20:00 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

NATAL/RN — O principal pronto-socorro potiguar amanheceu sob operação policial nesta quarta-feira (7). Agentes da Polícia Civil saíram às ruas para cumprir uma quinzena de ordens de busca dentro da ofensiva batizada de Sine Mora, que mira a suspeita de cobrança irregular por procedimentos do SUS na unidade Monsenhor Walfredo Gurgel, na capital. Um dos endereços visitados fica em Parnamirim: a residência da vereadora Carol Pires (União), que teve o celular recolhido e afirma ter colaborado com a diligência.
A ofensiva conta com o suporte da secretaria estadual de Saúde e do núcleo de repressão ao crime organizado do Ministério Público potiguar. Sete pessoas são alvo das cautelares, e o foco recai sobre um suposto atalho pago para exames de imagem — principalmente tomografias e radiografias — que seriam liberados fora da fila oficial. Até a publicação desta reportagem, os investigadores não haviam especificado a participação atribuída a cada alvo, e as diligências continuavam em andamento.
Suspeita de balcão paralelo para exames do SUS
Conforme relatado pelos órgãos que participam da força-tarefa, funcionários do hospital e pessoas sem vínculo com a unidade teriam montado um esquema para acelerar procedimentos bancados com dinheiro público em troca de pagamento por fora. O alerta partiu da própria pasta da Saúde, ao notar desencontros entre o movimento registrado na recepção e o volume de laudos lançados nos sistemas, além de atendimentos realizados por fora do trâmite normal.
Os eixos da apuração divulgados até aqui:
- Procedimentos na mira: imagens de tomografia e raio-X feitas no Walfredo, porta de urgências da Grande Natal.
- Quem denunciou: a própria secretaria de Saúde, após cruzar registros de entrada com exames faturados.
- Mecanismo suspeito: agendamentos e liberações por fora da fila, com suposta cobrança dos pacientes.
- Alcance da ofensiva: quinze buscas cumpridas nesta quarta e restrições judiciais contra sete investigados, com cinco concursados afastados dos postos.
- Próxima etapa técnica: perícia em celulares e papéis recolhidos, para rastrear conversas, contatos e eventuais quantias.
Em posicionamento oficial, a secretaria ressaltou que os episódios sob exame remontam a administrações passadas, tanto da pasta quanto da unidade, e que as equipes atuais vêm colaborando com os investigadores desde os primeiros levantamentos.
Vereadores alcançados e as versões das defesas
A parlamentar de Parnamirim — filha de Kátia Pires, vice-prefeita do município — confirmou, por meio de nota, que franqueou o aparelho aos policiais, já desbloqueado, no momento da diligência domiciliar. Carol Pires declarou que ainda não conhece o teor dos autos, que contratou advogados para acompanhar o feito e que refuta qualquer envolvimento com ilicitudes, no mandato ou fora dele. Segundo ela, um novo pronunciamento será feito quando a defesa tiver acesso integral ao processo.
"Entreguei voluntariamente o aparelho para averiguação e tenho interesse total no esclarecimento dos fatos", afirmou a vereadora em nota divulgada após a diligência.
A mesma ofensiva alcançou o vereador Percivaldo Júnior (União), de Poço Branco, no Mato Grande. A ordem relativa a ele foi executada em um endereço em Ceará-Mirim, na região metropolitana. A defesa do parlamentar declarou que ele desconhece qualquer elo com os fatos apurados, que jamais adotou conduta ilegal ligada ao caso e que segue à disposição para prestar esclarecimentos pelos meios formais. Os advogados ponderaram que diligências de busca representam etapa investigativa, sem equivaler a juízo de culpa.
A corporação ainda não divulgou os montantes que teriam sido exigidos dos pacientes, o período de funcionamento do suposto esquema nem a identidade dos demais alvos.
O que acontece agora
O material apreendido segue para análise técnica, e caberá ao inquérito indicar, nas próximas semanas, se há base para denúncias ou se trechos da apuração serão arquivados. Os servidores afastados estão impedidos de entrar na unidade e de manter contato com testemunhas, além de outras restrições fixadas pelo juízo, como apresentações periódicas. Quem depende do Walfredo — referência para Natal e municípios vizinhos como Parnamirim, Macaíba e São Gonçalo do Amarante — deve manter consultas e exames agendados e comunicar qualquer exigência de pagamento por serviço gratuito aos canais da secretaria e da Polícia Civil. O caso continua em apuração, e novas informações devem ser repassadas pelos órgãos à frente das investigações.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
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