Caso de 2015 na Prudente termina com prisão de condenado no Recife
Condenado pelo júri de Natal pela morte de motoboy em 2015 foi localizado em Casa Forte, no Recife, em ação conjunta das polícias civis do RN e de Pernambuco.
Por Tribuna RN
Publicado em 06 de outubro de 2026 às 19:36 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (G1 RN)

NATAL/RN — Uma história que atravessa mais de uma década na capital potiguar teve um desfecho nesta terça-feira (6). O homem sentenciado pelo Tribunal do Júri natalense em razão do falecimento de um motociclista profissional, em episódio registrado em uma das avenidas mais movimentadas da cidade, acabou localizado na capital pernambucana. Segundo a Polícia Civil potiguar, a captura aconteceu em um bairro residencial da zona norte recifense, com apoio direto de equipes pernambucanas.
A diligência encerra um período de fuga que começou depois da sessão de julgamento realizada em Natal em 2023. Até a publicação desta matéria, o detido seguia à disposição do sistema de Justiça para cumprimento da reprimenda estabelecida pelo conselho de sentença.
Ação conjunta entre RN e Pernambuco
De acordo com a Polícia Civil do Rio Grande do Norte, o paradeiro foi identificado após troca de informações entre investigadores dos dois estados. A abordagem ocorreu sem registro de confronto, em área urbana do Recife.
- Local da captura: bairro de perfil residencial na zona norte da capital pernambucana;
- Equipes envolvidas: agentes potiguares e pernambucanos em trabalho integrado;
- Momento: manhã desta terça-feira (6), após monitoramento do endereço;
- Situação atual: custodiado e à disposição da Justiça para execução da pena.
A corporação não detalhou o tempo de permanência no endereço nem se houve apoio de terceiros durante o período em que permaneceu fora do alcance da Justiça. Essas circunstâncias, segundo os investigadores, seguem sob apuração.
Relembre a ocorrência na Grande Natal
O episódio de trânsito que originou o processo aconteceu em julho de 2015, em corredor viário de grande fluxo na zona Sul natalense. Na ocasião, o motociclista de 28 anos pilotava seu veículo de trabalho quando houve uma colisão envolvendo o automóvel conduzido pelo hoje sentenciado. Com a violência do choque, a moto foi projetada adiante e atingiu a estrutura de um poste. O trabalhador não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local, conforme registros policiais da época.
Testemunhas ouvidas naquele período relataram um desentendimento momentos antes da batida. A linha investigativa sustentou que o motorista do carro passou a acompanhar a moto por alguns metros antes do impacto. Depois da colisão, o condutor do automóvel deixou a cena sem prestar socorro, o que ampliou a repercussão do caso entre motociclistas e moradores da Grande Natal.
Segundo o Ministério Público Estadual, que atuou na acusação em plenário, as provas indicaram conduta intencional na direção, tese acolhida pelos jurados.
A perícia técnica do Instituto Técnico-Científico de Perícia potiguar apontou que o carro trafegava acima do teto permitido para aquele trecho — fixado em 50 quilômetros por hora. O laudo registrou velocidade próxima de 60 quilômetros por hora no instante do toque, dado considerado relevante para a dinâmica do evento.
Julgamento, pena e fuga após a sentença
Em sessão realizada em março de 2023, o conselho de sentença natalense reconheceu a prática de homicídio com dolo eventual, agravado pela futilidade da motivação. A reprimenda fixada superou uma década e meia de reclusão, em regime inicialmente fechado.
- Órgão julgador: Tribunal do Júri da capital potiguar;
- Tese da acusação: perseguição após atrito no tráfego, com impacto proposital;
- Entendimento dos jurados: assunção do risco de provocar a morte;
- Pena aplicada: 16 anos e meio de prisão;
- Fase seguinte: mandado de prisão após o sentenciado não se apresentar.
Durante boa parte da tramitação, o acusado respondeu em liberdade, com possibilidade de recorrer sem custódia prévia. Após a decisão dos jurados, porém, ele não foi localizado para dar início ao cumprimento, passando a ser considerado foragido até a captura desta terça.
O que acontece agora
O caso segue agora na fase de execução penal. Cabe ao juízo competente definir a unidade de custódia, o regime inicial efetivo e o recálculo de eventuais benefícios previstos em lei. A defesa técnica poderá se manifestar nos autos sobre o cumprimento e pedir as providências que entender cabíveis.
Para a família do motociclista e para a categoria que vive sobre duas rodas entre Natal, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante, a prisão representa o fechamento de um ciclo de espera de mais de dez anos. A orientação das forças de segurança é que informações sobre foragidos sejam repassadas pelos canais oficiais, sem exposição direta de denunciantes.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
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